A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A partir da segunda metade do século XX, iniciou-se a Revolução Digital, marcada por inovações tecnológicas e o advento da Internet: uma rede que permitiu a conexão de milhares de pessoas a partir de aparelhos celulares e computadores. Porém, como essa transformação, de escala global, ocorreu de maneira muito acelerada e imediata, ainda existem muitas pessoas no Brasil que não entendem e não conseguem se inserir no meio virtual, seja por falta de condição financeira ou por ausência de educação computacional, são os chamados analfabetos digitais. Como o mundo está cada vez mais conectado virtualmente nas redes, a educação digital assume imensa importância para melhoria dos fatores socioeconômicos do país e, portanto, o analfabetismo nessa área urge de intervenções do Estado.
Primeiramente, é certo que grande parte da população brasileira não possui recursos financeiros para uma total imersão no mundo virtual. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um a cada quatro brasileiros não possui acesso a internet, totalizando 46 milhões de pessoas, sendo que, em relação a renda desse grupo, o rendimento médio por pessoa é de R$ 940, menos de um salário mínimo. Esses dados demonstram a clara correlação existente entre a pobreza no país e os elevados indíces de analfabetismo digital. Nesse sentido, como muitas famílias possuem uma renda muito baixa, devem priorizar as necessidades básicas de alimentação e saúde, não tendo recursos para investir em acesso a internet e em aparelhos digitais como computadores e celulares, que são muito caros.
Além disso, a ausência de educação digital nas escolas públicas aumenta ainda mais esse quadro deletério. Segundo dados de pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apenas 14% das escolas do Estado possuem um ambiente ou plataforma virtual de aprendizagem. Nesse sentido, esse censo demonstra um despreparo do ensino público para a alfabetização de crianças no mundo digital.
Destarte, são necessárias medidas para minimizar o problema do analfabetismo digital em questão no Brasil. Com esse propósito, é importante que o Estado, por meio de parcerias público-privadas, em que empresas de tecnologia e comunicações recebem benefícios fiscais em troca de investimentos, arrecade verbas para o investimento na criação de ambientes digitais de aprendizado nas escolas públicas, com computadores e tablets para os alunos, além da criação de um fundo de concessão de créditos para a população de baixa renda adquirir internet e comprar celulares e computadores. O conjunto dessas medidas aumentará a inserção das famílias de baixa renda no meio virtual, além da promoção da educação computacional nas escolas, diminuindo-se os índices de analfabetismo digital.