A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O processo de globalização possibilitou uma maior integração mundial, à medida que desenvolveu novas tecnologias e otimizou distâncias e serviços. Em contrapartida, muitos brasileiros ainda não possuem acesso aos veículos digitais e à internet, de modo a evidenciar o processo de exclusão , que configura a questão do analfabetismo digital no Brasil. Sob esse viés, pode-se analisar também, a carência em políticas que proporcionam o capacitismo tecnológico, bem como maiores oportunidades ao seu acesso pelas comunidades mais carentes, e pela população idosa emergente.

Em primeiro plano, evidencia-se a falta de capacitação do usuário, que acaba por acentuar o fenômeno da exclusão digital. Dessa forma, tal impasse viabiliza a distopia no âmbito tecnológico e retrocede possíveis avanços do país, uma vez que ocorre a privação do conhecimento em áreas com grande potencial de crescimento. Analogamente, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), o acesso à internet é um direito humano do século XXI, tornando-se, dessa forma, saber indispensável na construção do conhecimento, principalmente entre os jovens, que simbolizam o futuro econômico nacional.

Além disso, já há o estigma da desigualdade na sociedade brasileira, que potencializa o abismo existente entre as diferentes classes econômicas e faixas etárias do Brasil. Prova disso, se dá com os dados fornecidos pelo IBGE, onde pesquisas realizadas em 2016, apontaram que cerca de 40% dos brasileiros afirmaram não saber usar a internet e desses, 25% possuem 60 anos ou mais, reafirmando o caráter segregador que rege a atualidade. Em suma, tais percentuais poderiam ser facilmente reduzidos com aulas e planos de subsídios focados no caráter instrucional para as pessoas sem acesso.

Infere-se, portanto, que no atual cenário global, o uso de tecnologias é essencial na formação do indivíduo como cidadão, e o Brasil como nação em desenvolvimento deve priorizar tal eixo. Logo, com o intuito de amenizar tal abismo e democratizar o uso dos meios digitais, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação deve implementar propostas que ampliem as redes de internet, por meio da criação de mais pontos de wi-fi gratuitos nas áreas  periféricas, com a colaboração de empresas especializadas, a fim de possibilitar a popularização das redes e consequentemente garantir seus benefícios. Ademais, devem ser criados, também pelo Ministério em questão, o fornecimento de computadores e celulares, através de planos de subsídios, com o fito de tornar possível a utilização da internet em todo o país. Dessa forma, espera-se com tais medidas, reduzir a disparidade existente e fazer valer o conceito de globalização no país.