A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No episódio “Nosevide”, da série Black Mirror, pessoas são avaliadas por um aplicativo, em todo momento, podendo ganhar até 5 estrelas. Logo, a série não erra ao ressaltar os “excluídos” socialmente, devido à pouca popularidade, ressaltando como a era digital pode avultar as diferenças. Assim, em razão das grandes disparidades socioeconômicas e do pouco investimento em tecnologia, discute-se, portanto, a questão do analfabetismo digital no Brasil.

Primeiramente, é mister salientar os dados do Relatório de Desenvolvimento Humano, da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2014, que apontava o Brasil como 11° país mais desigual do mundo. Outrossim, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% da riqueza nacional está concentrada nas mãos de somente 10% da população, ou seja, destaca-se como principal causa do analfabetismo digital no Brasil, as disparidades de poder aquisitivo, pois muitos não têm as condições necessárias para adquirir um aparelho digital. Ademais, o baixo investimento em tecnologia nas escolas públicas e o pouco uso dos computadores, como aponta uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), que 18% das escolas que têm laboratório de informática não usam para trabalhar com os alunos é outra causa. Em suma, os alunos têm pouco contato com dispositivos eletrônicos, gerando o analfabetismo digital.

Consequentemente, comprovando a teoria de Hans Jonas sobre “a tecnologia ter trazido poderes imensuráveis de utilização, mas também sérias consequências”, a exclusão digital é um grave problema no Brasil, como ressalta os dados da TIC Domicílios, que 47 milhões de brasileiros não têm acesso a internet. Além disso, como é mostrado no documentário “O Dilema das Redes”, guerras virtuais e maiores propensões às “fake news” podem acontecer, levando em conta que o analfabeto digital não é só o excluído tecnológico, mas também aquele que não sabe usar corretamente o aparelho. De fato, fazendo uma analogia entre a seleção natural de Darwin, em que “os mais aptos sobrevivem” e a atual pandemia, muitos ficaram nas grandes filas dos bancos, por não conseguirem ter acesso aos aplicativos digitais.

Fica evidente, portanto, que o analfabetismo digital configura-se como um problema na sociedade atual. O Poder Público, junto com o Ministério da Educação, deve, não só ampliar o acesso a tecnologia por meio da distribuição e direcionamento de verbas para aquisição de aparelhos digitais nas instituições de ensino, mas também, disponibilizar profissionais do meio tecnológico para auxiliar alunos e professores, por meio de projetos didáticos e coletivos, na finalidade de garantir o acesso aos meios digitais, iniciando nas escolas públicas.