A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Em um contexto pós-revolução industrial inúmeros foram as transformações na vida do homem. Nesse viés, as inovações tecnológicas, sobretudo à internet, modificaram a realidade no que tange à questão do acesso a informações e ao conteúdo das mesmas. Dessa forma, o analfabetismo digital configura-se como uma problemática a ser combatida, seja pela falta de igualdade no acesso à tecnologia, seja pela incerteza das informações compartilhadas na rede.

Em primeira análise, em um país de dimensões continentais como o Brasil, a desigualdade social existente é decisiva no quesito da acessibilidade à internet. Devido a isso, enquanto há regiões - como sul e o sudeste - em que parte majoritária da população está conectada, no interior de outras localidades, como na região norte, por exemplo, muitos ainda não têm acesso à internet por não estar disponível naquela área. Esse disparate entre localidades de um mesmo país, evidencia a ausência da atuação estatal em regiões mais remotas e distantes dos grandes centros econômicos nacionais. Tal cenário configura o Estado como uma “Instituição Zumbi” a qual, de acordo com Zygmunt Bauman, é aquela que mantém sua forma mas não exerce sua função, já que o governo não cumpre sua obrigação de prover isonomia a todos os brasileiros e, com isso, os torna analfabetos digitais.

Além disso, as redes sociais facilitaram a divulgação de informações sem prévia verificação de sua autenticidade. Isso ocorre porque não há uma forma de checar tudo o que é postado na internet e, devido a esse fato, é preciso que haja conscientização por parte dos usuários das redes sobre o que eles divulgam e propagam. Tal cenário torna-se preocupante já que, dependendo do teor da mensagem ou notícia postada - em relação à política e saúde, por exemplo - o impacto social pode ser negativo, como no caso dos grupos anti-vacina ou da influência nas eleições por meio de notícias falsas. Esse comportamento contemporâneo no meio digital demonstra como as inovações advindas da revolução industrial, se usadas incorretamente, podem prejudicar a vida em sociedade.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de combater o analfabetismo digital e suas consequências. Para isso, o Governo Federal deve - por meio do Ministério das Comunicações que é responsável por políticas nacionais de inclusão digital - aumentar a verba destinada a essa área para que haja fornecimento de internet de forma igualitária em todo o território nacional a fim de permitir a comunicação e acesso de todos aos meios digital. Cabe, também, ao Ministério da Educação, a inserção em todas as escolas de debates sobre a importância de impedir a propagação de notícias falsas no meio digital. Assim, será possível amenizar os impactos negativos da revolução industrial.