A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Com o advento e a evolução constante da internet, o mundo contemporâneo passou por inúmeras transformações que revolucionaram o comércio, as relações sociais e, inclusive, a comunicação. No entanto, mesmo que a tecnologia tenha promovido a agilidade em se comunicar e o acesso instantâneo as informações,  a falta de alfabetização voltada para o uso adequado de mecanismos digitais ainda é uma realidade brasileira, motivado tanto pela ausência de políticas públicas para o letramento digital, quanto pela desigualdade social vigente.

Diante desse cenário, é necessário analisar a Constituição Federal de 1988, a qual descreve que todo cidadão tem direito à educação e é dever do Estado promovê-la, para alcançar o pleno desenvolvimento pessoal. À  vista disso, é notório que a ineficiência governamental, no que tange à promoção da educação digital para a população, impede o pleno exercício da cidadania, haja vista que, assim como a alfabetização, o acesso à internet e suas ferramentas, também é um direito constitucional. Aliado a essa conjuntura, a discrepância socioeconômica entre os estratos da sociedade brasileira reflete no acesso e uso da internet, isso porque, as tecnologias de informação não alcançam, de forma efetiva, as pessoas de baixa renda e sem acesso à escolarização, uma vez que possuem necessidades mais urgentes. Dessa forma, o analfabetismo digital segrega pessoas e contribui para acentuar os privilégios de uma parcela da população.

Vale a pena ressaltar, também, a teoria do filósofo Pierre Lévy, que deixa evidente como o acesso à internet e a grande diversidade de informações disponíveis contribuem para a democratização do conhecimento. Mediante o ideário, depreende-se que as pessoas que não tem acesso às novas tecnologias digitais encontram dificuldades de se inserirem no meio econômico e social, posto que o mundo depende cada vez mais da internet e muitos serviços transitaram, quase totalmente, para esse meio. Além disso, a lacuna presente na educação digital torna os indivíduos suscetíveis à alienação e leva a comportamentos que prejudicam a sociedade, como o compartilhamento de notícias falsas, motivado pela incapacidade de validar a informação. Assim, faz-se necessário uma intervenção, já que o uso responsável da internet promove a inclusão digital.

Portanto, tendo em vista a necessidade de mitigar os efeitos do analfabetismo digital, o Governo Federal, em uma ação conjunta com as prefeituras municipais, deve promover a criação de um projeto educacional, juntamente com órgãos sociais, por meio da disponibilização de cursos voltados para instruir a população acerca das ferramentas da internet e de como fazer o uso adequado delas. Dessa maneira, espera-se promover qualidade de vida à população, por meio de recursos digitais.