A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A obra “O Grito”, do artista Edward Much, evidencia um ser que aparenta sentir pânico e desconforto diante do desconhecido. Essa ilustração vai de encontro à ausência de reflexão diante do analfabetismo digital no Brasil, visto que, ao contrário do personagem, a sociedade não se terrifica diante desse cenário antagônico à revolução tecnológica vivenciada. Nesse sentido é evidente que esse panorama tem como origem a escassez de medidas governamentais frente à questão. Assim, a falta de políticas públicas, bem como o individualismo agravam essa situação.
Vale destacar, a princípio, que a falta de políticas públicas é a causa notória da questão. Nessa perspectiva, Abraham Lincoln, célebre político americano, disse que a política existe para servir à nação e não o contrário. Contudo, em relação ao analfabetismo digital presente na sociedade hodierna, essa afirmação de Lincoln não se faz presente, uma vez que o Poder Público não serve o povo com ações, metas e planos que solucionem entraves, como o obstáculo enfrentado por alguns indivíduos ao usarem a internet, bem como a exclusão desses analfabetos do meio de trabalho. Assim sendo, sem uma política comprometida, o combate de tal fato é praticamente utópico.
Além disso, é imprescindível destacar o “Liquidismo Baumoniano” visivelmente presente na atualidade. Nessa perspectiva, para o filósofo polonês Zigmunt Bauman, vive-se em uma sociedade individualista, a qual não se importa com os relacionamentos interpessoais ou problemas alheios. Sendo assim, as vítimas desse flagelo social, fruto da falta de empatia humana, não usufruem de amparo para desenvolverem habilidades tecnológicas e, consequentemente, permanecem excluídos do meio social. Isso prova o descaso pessoal com os outros indivíduos e com as suas necessidades. Vê-se, dessa maneira, a importância de mudanças na perspectiva social.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Logo, o Ministério da Educação, governo responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, por meio de uma parceria com as prefeituras, deve realizar aulas de informática comunitárias em escolas. Esse projeto deverá ser compartilhado nas redes sociais das prefeituras, com o fito de atingir grande parte dos munícipes e os incentivar a participar do programa. Isso, por consequência, trará mais clareza a respeito do uso da tecnologia. Ademais, ao cidadão cabe o papel de amparar indivíduos que possuem dificuldades no uso da tecnologia, a fim de, por meio de pequenas ajudas com pesquisas na internet e trabalhos digitalizados, inserir, gradativamente, todos os cidadãos no meio tecnológico. Dessa maneira, o entrave social será vencido.