A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente à todo cidadão brasileiro. Contudo, observa-se que a promessa se atêm apenas ao plano teórico, visto que um dos problemas que merecem atenção, hodiernamente, é o fato de existirem analfabetos digitais no Brasil e se tornar inexistente a democratização do ensino tecnológico básico para esses indivíduos. Diante disso, infelizmente, a situação advém tanto da displicência estatal quanto da naturalização da problemática, no país.

Sob esse viés, é indubtável que o problema encontra terra fértil na negligência governamental. Conforme Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder o governo dispõe-se à incumbência de operar e ter como objetivo o bem universal. Todavia, a premissa não se concretiza corretamente no Brasil, pois o poder público negligencia o analfabetismo digital. Decerto, com o universo digital, a comunicação e o acesso às notícias ficam extremamente mais fácil, não obstante, a afirmação não parece ser suficiente para o Estado popularizar o ensino tecnológico básico no país.

Outrossim, é irrefutável a naturalização populacional, referente ao quadro em pauta, como agravante do entrave. “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa Simone de Beauvoir, pode ser facilmente aplicada ao analfabetismo digital no Brasil, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Sob tal ótica, pode-se dar como exemplo a questão dos “vídeos de entretenimento” de idosos analfabetos digitais espalhados nas redes sociais: a população nem sequer observa o imbróglio em pauta, apenas usufruem como divertimento.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação criar um projeto responsável por democratizar o acesso à tecnologia digital no país. Dessa forma, o projeto será feito com a implantação de um curso de tecnologia básica em escolas públicas de todo o país, disponibilizado gratuitamente para todas as faixas etárias. O ensino, será atribuído à profissionais formados em cursos superiores da área digital, como o TI (tecnologia da informação). Da mesma maneira, cabe à Mídia propagar o projeto em todos os meios digitais possíveis. Isso tudo, visando o fim do analfabetismo digital no Brasil. Somente assim, seria dado mais um motivo de orgulho à falecida escritora Simone de Beaouvir, já que com o fim do analfabetismo digital, a naturalização da problemática também será corrompida.