A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O empresário Steve Jobs, criador da Apple, afirmou que a tecnologia move o mundo. Sob essa óptica, no contexto brasileiro, tal perspectiva não se faz presente, uma vez que o analfabetismo digital é uma problemática que tem paralisado o avanço do país. Diante disso, faz-se necessário medidas interventivas para conter a questão, a qual é agravada devido não só à disparidade socioeconômica, mas também à falta de formação no âmbito educacional.

Sob essa perspectiva, convém enfatizar o impacto da disparidade social no acesso da sociedade aos recursos digitais. Nesse sentido, de acordo com o Índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade em um país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, essa cruel disparidade faz com que uma parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar ao uso dessa ferramenta. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedido de ter acesso à tecnologia, fato que, consequentemente, agrava esse entrave.

Outrossim, é imperativo destacar a falta de uma educação formadora como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo Roger Chartier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o Poder Público intervém na formação da sociedade, inclusive no âmbito digital. Entretanto, na realidade do Brasil, esse ideal não é concretizado, pois as instituições de ensino não ofertam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas.

Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente seus discentes, o entrave do analfabetismo na seara da tecnologia perdurará sobre o País. Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo digital em todo território brasileiro. Para tanto, o Governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Ademais, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, por meio de amplo debate entre Estado, professores e famílias, introduzir novos métodos eficazes de ensino, com o fito de transformar a educação brasileira e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade no tocante à tecnologia no País. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, mudar o quadro exposto pelo índice de Gini.