A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A Constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática quando se observa o analfabetismo digital, dificultando, deste modo, a universialização desse direito social tão necessário. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa análise ao peso que a desigualdade socioeconômica e a omissão do Estado tem no Brasil.

Sob essa perspectiva, convém enfatizar o impacto da disparidade social ao acesso digital para o âmbito educacional. De acordo com a Filósofa Simone Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nesse sentido,a afirmação da escritora se concretiza quando países de 1º mundo discutem a contribuição da tecnologia para economia das nações, o Brasil perpetua no desiquilíbro econômico, fato que, consequentemente, acaba inviabilizando a “Era Digital” na sociedade,

Outrossim, é notório destacar a ausência de medidas governamentais como um dos fatores que acarretam o avanço na educação tecnológica. No livro “O Cidadão de papel”, do escritor Gilberto Dimenstein, por exemplo, disserta que, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistentes, são negligenciadas na prática, restrigindo-se-á um plano teórico. Parafraseando Dimenstein, a falta de ações do Estado corroboram para o impulsionamento do analfabetismo digital, logo, se rompe o aprendizado como dever do cidadão previsto no artigo 6º da Constituição.

Portanto, é preciso que o governo tome providências para amenizar os índices negativos de educação digital. Desse modo, urge que o Ministério da Economia, através de um projeto de Lei, crie o “Bolsa Tecnologia”, um auxílio governamental com o objetivo de fornecer meios de comunicação à pessoas de baixa renda. Ademais,o Ministério da Ciência e tecnologia crie, um aplicativo educacional, visando a informar os benefícios da alfabetização digital como avanço social. Assim, o Brasil desenvolverá socialmente, pondo a teoria na prática, deixando Dimenstein orgulhoso.