A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A constituição federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - garante o acesso a tecnologia. No entanto, tal direito não tem se manifestado com ênfase na prática quando se observa o Analfabetismo Digital, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, entende-se que a desigualdade socioeconômica, bem como a falta de formação no âmbito educacional apresentam-se como entraves para a resolução do problema.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater os analfabetos digitais . Nesse sentido, essa cruel disparidade faz com que parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar no uso dessa ferramenta. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis,como a tecnologia, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a falta de uma educação formadora como impulsionador do Anafabetismo Digital no Brasil. Segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir ``O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles´´. Essa afirmação, pode ser facilmente aplicada aos analfabetos digitais , já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Diante de tal exposto, as instituições não ofertam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas . Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater o Analfabetismo Digital. Para isso,o governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Além disso, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, por meio do amplo debate entre estado, professores e família, introduzir novos métodos eficazes e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade no tangente á tecnologia do país. Assim, será possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.