A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Vive-se hoje as consequências da chamada Terceira revolução industrial, a qual iniciou-se em meados do século XX, e proporcionou o início do uso da tecnologia no cotidiano. Essa reviravolta na história da humanidade trouxe diversos benefícios para quem a usufrui, porém, nem todos possuem o privilégio de usa-la de forma completa, ou de ao menos entendê-la. Em vista desse cenário, surge o termo “Analfabetismo digital”, um conceito novo que se baseia na falta de entendimento e acesso à tecnologia de uma grande parcela da sociedade. No Brasil, tal problema é encontrado em níveis alarmantes. Segundo dados da pesquisa The Inclusive Internet Index, o Brasil está na 66ª posição no quesito preparo da população para uso da internet. Sendo deduzido, portanto, que a nação brasileira encontra-se sobre uma intensa negligência governamental quando se diz a respeito do futuro tecnológico que já está presente.
De forma crítica, a música do incrível cantor Gilberto Gil, “Queremos saber”, que diz “Queremos saber o que vão fazer com as novas invenções (…) homens pobres das cidades, das estepes do sertão, queremos saber” denuncia de forma muito clara a falta de acesso às descobertas tecnológicas e seus poderes que as camadas mais pobres e menos escolarizadas possuem em relação aos demais, sendo essa a principal causa do analfabetismo digital. Até porque, as famílias que vivem à margem da sociedae não irão se preocupar com as novidades da internet, enquanto possuem problemas como pagar aluguel, as contas, e o alimento de cada dia.
Outrossim, não basta apenas ter acesso à internet, com ela, surge outra questão, a lacuna que existe entre as pessoas menos ricas de conhecimento no quesito de confiar em todas as notícias publicadas nas redes sociais. Essa situação é comprovada com o dado da revista The Economist, a qual diz que os brasileiros encontram-se em 4º lugar em tal situação, enquanto os países desenvolvidos ocupam os últimos lugares, como a Suécia, que possui uma rede educacional completíssima e eficaz, o que justifica ela estar em 62º lugar.
Em resumo, entende-se que para usufruir de forma plena do mundo digital não basta apenas ter acesso a ele, deve-se entender seus riscos também. Logo, cabe ao Ministério da Educação criar projetos que visem a democratização do ensino digital. Tal projeto iria ser realizado por meio da implementação de aulas nas escolas a partir do ensino fundamental. Além disso, seria enviado por e-mail aos pais semanalmente e-books com o mesmo conteúdo, para eles aprenderem junto com as novas gerações o poder da internet. Todos esses feitos seriam patrocinados por verbas governamentais e também por parte dos colégios quando esses forem particulares.