A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o analfabetismo digital apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de formação no âmbito educacional, quanto da desigualdade socioeconômica. Diante disso, torna-se essencial a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente,  é fulcral pontuar que o analfabetismo digital deriva de uma baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a desigualdade socioeconômica facilita com que essa parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar no uso dessa ferramenta.Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedida de ter acesso á tecnologia, fato que faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a carência de formação no âmbito educacional como promotor do problema. Segundo Roger Chatier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no âmbito digital. Entretanto, na realidade do Brasil esse ideal não é concretizado, pois as instituições não ofertam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente os seus discentes o entrave do analfabetismo na seara da tecnologia perdurará sobre o país.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Para tanto, o governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Além disso, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, por meio do amplo debate entre estado, professores e família, introduzir novos métodos eficazes e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade no tangente á tecnologia do país. Feito isso, o Brasil poderá gradativamente mudar o quadro exposto pelo índice de Gini.