A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Desde a Revolução Técnico-Científico-Informacional, tornou-se grande a necessidade de aprender a lidar com as novas tecnologias digitais. No entanto, infelizmente, no Brasil hodierno, embora essas ferramentas sejam amplamente utilizadas, seu uso se dá de forma superficial e fútil para grande parte da população que se configura como analfabeta digital. Nesse viés, os brasileiro ficam sujeitos à manipulação midiática e, assim, surgem novas formas de desigualdade por conta desse óbice que precisa ser combatido.

Partindo desse pressuposto, é fulcral abordar que, como no país não há uma educação digital implementada, muitos cidadãos não realizam uma vigilância epistêmica, ficando suscetíveis à manipulação das redes. Sob essa perspectiva, vale relembrar o pensamento dos filósofos Adorno e Hokheimer, os quais falam que a Indústria Cultural divulga massivamente seus produtos, levando os indivíduos a permanecerem na superficialidade, tornando-se alienados, de modo a não analisar criticamente o que lhes é passado. Destarte, a tecnologia serve ao consumo e ao engessamento de ideias e não às possíveis mudanças sociais que elas poderiam trazer ao país caso usadas conscientemente.

Ademais, vale também destacar que o uso desigual das plataformas digitais potencializa problemas sociais. Perante tal perspectiva, o escritor Umberto Eco aborda que as novas tecnologias também têm criado novas formas de desigualdade, ao passo que algumas pessoas sabem gerir a rede e se aproveitar dela- geralmente pessoas maiores condições financeiras-, outros utilizam passivamente, enquanto o restante é manipulado pelos primeiros. Dessa forma, devido à ampla presença de ferramentas dessa categoria no cotidiano das pessoas, as diferenças na esfera virtual são refletidas na realidade e assim, impasses sociais são perpetuados.

Portanto, é basilar que o Ministério da Educação efetive o acesso à educação tecnológica, por meio da implementação dessa matéria como obrigatória na BNCC. Além disso, juntamente com a mídia, é necessário que o MEC realize programas didáticos acerca do uso correto e voltado para transformações sociais das ferramentas digitais, a fim de que crianças e adultos saibam realizar uma vigilância epistêmica, não sendo manipulados e usando as redes para que hajam melhorias na vida individual e social. Assim, os cidadãos deixarão de ser analfabetos digitais.