A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/01/2021
De acordo com o sociólogo francês Pierre Lévy, toda nova tecnologia gera excluídos. Dentro desse raciocínio, o advento do meio cibernético introduziu inúmeros benefícios à sociedade, no entanto, marginalizou os indivíduos que não são dotados do conhecimento das ferramentas tecnológicas. Nesse quesito, a situação de analfabetismo digital reflete as disparidades existentes entre as diferentes gerações em utilizar os aparelhos eletrônicos e, ainda, demonstra a dificuldade da população em averiguar a veracidade do conteúdo digital que consome. Citado esse panorama, são necessárias ações que visem melhorar a condição de inabilidade computacional dos cidadãos.
Em uma perspectiva centrada em fatores etários, o contraste entra a habilidade dos jovens e a inaptidão dos idosos indica o caráter recente dos dispositivos eletrônicos. Nesse âmbito, os produtos da revolução tecno-científica atingiram, segundo Lévy, grande parte da população somente a partir do século XXI, fato que fez com que a Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) esteja totalmente imersa nas novas tecnologias. Em contrapartida, as pessoas de terceira idade foram segregadas do pleno uso dos meios cibernéticos, de modo a constituir uma massa de analfabetos digitais, de modo a não apresentarem conhecimento a cerca dos aparelhos eletrônicos, realidade comprovada por uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, em que afirma que 72% da população idosa brasileira nunca utilizou um aplicativo de celular. Evidencia-se, portanto, a desigualdade digital no que diz respeito ao aprendizado das novas técnicas e domínio dos dispositivos.
Para além dessa contestação, a presença de uma massa que compreende os mecanismos eletrônicos mas não sabe interpreta-los coloca em destaque a existência do analfabetismo funcional digital. Em vista do falso conhecimento, um levantamento realizado pela instituição The Economist afirma que o Brasil figura entre os 5 países que mais confia em informações compartilhadas em redes sociais — dados que mostram a passividade do internauta perante as mídias. Frente essa inércia, o povo brasileiro comprova que ainda não é alfabetizado quando a conjuntura é a confirmação da veracidade dos fatos noticiados nas redes, de modo a se tornar objeto de manobra e de alienação.
Diante do exposto, fica evidente a urgência de medidas para reverter o analfabestismo digital. Para tanto, o Ministério da Tecnologia deverá promover a educação computacional da população, de modo a proporcionar aulas sobre os aparelhos eletrônicos e suas gestões, que serão ministradas por especialistas em cursos gratuitos. Como resultado direto, milhares de brasileiros — principalmente os idosos — terão o devido domínio dos meios cibernéticos e adentrarão nos produtos da modernidade, condições necessárias para a formação de uma comunidade cada vez mais instruída e inclusiva.