A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A Terceira Revolução Industrial, iniciada em meados do século XX, permitiu o desenvolvimento de vários produtos e iniciou a era informacional. Nesse contexto, o Brasil também passou pelas mudanças ocasionadas por esse evento histórico, porém ainda enfrenta o alarmante problema do analfabetismo digital, isto é, a dificuldade - vivida por muitos - em utilizar aparelhos tecnológicos. Nesse sentido, observa-se, como causa dessa mazela social, a situação econômica desfavorável vivenciada por tantos, e, como possível consequência, a exclusão dessas pessoas da dinâmica social.

Sob essa ótica, percebe-se que a difícil condição financeira experimentada por muitos cidadãos agrava o cenário de iletramento digital no país. Isso significa que diversas pessoas, por não terem dinheiro suficiente para contratar provedores de internet, ficam impossibilitadas de acessar o ambiente virtual. De acordo com dados do portal Agência Brasil, cerca de 25% da população brasileira não têm acesso à rede, dentre os quais 45% alegam que isso acontece porque o serviço é muito caro. Logo, é inadmissível que a exclusão da esfera virtual seja tão recorrente, uma vez que a Constituição Cidadã, promulgada em 1988 no Congresso Nacional, garante a todos o direito inalienável à informação.

Ademais, é válido ressaltar a exclusão da dinâmica social moderna como lamentável desdobramento do iletramento tecnológico. Isso acontece porque a tendência atual é a progressiva fusão da internet com os elementos do cotidiano, fenômeno conhecido como “internet das coisas”. Prova disso é o fato, noticiado pelo site Uol, de que a rede 5G, lançada pela Coreia do Sul, possibilitará o comando de eletrodomésticos e até de cidade inteiras de forma inteiramente virtual. Nesse sentido, aqueles que não possuem o conhecimento dessas tecnologias podem ficar alheios ao progresso, fato que pode ocasionar, de acordo com o conceito de “capital social”, do filósofo Pierre Bourdieu, preconceito e discriminação. Conforme a visão do estudioso, os níveis de saber e cultura definem hierarquias, o que corrobora com o afastamento desse grupo social para camadas consideradas inferiores.

Portanto, é necessário encontrar medidas para solucionar o impasse. Desse modo, as instituições de ensino devem disponibilizar espaços para uso gratuito de internet e ministrar oficinas sobre a utilização das ferramentas digitais, por meio da instalação de computadores e tablets para uso público e de palestras  e aulas sobre o tema, facilitadas por técnicos em informática. Dessa forma, o Brasil poderá vivenciar plenamente as transformações trazidas pela Revolução Científica.