A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 16/01/2021
A terceira Revolução Industrial foi responsável pelo rápido avanço tecnológico do mundo, dando destaque às evoluções dos meios de comunicação, que originou a era digital. Entretanto, os altos índices brasileiros de analfabetismo digital tem como resultado a estagnação do país por não conseguir acompanhar tal evolução. Dessa forma, tal questão é um desafio no Brasil, não só devido às raízes históricas de desigualdade do país, como também à falta de formação no âmbito educacional. Assim, é necessário analisar os fatores sociais e políticos da questão.
É relevante abordar, primeiramente, que o histórico de desigualdade brasileiro constitui o âmago do problema apresentado. De acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade no país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Em tal contexto de disparidade social, é responsável por grande parcela da população não ter familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar no uso dessa ferramenta. Diante disso, parte do povo brasileiro, devido a suas condições sociais, é impedida de ter acesso à tecnologia, fator que consequentemente agrava esse entrave.
Outrossim, cabe ressaltar a falta de formação mais qualificada, que aborde disciplinas focadas no ambiente digital, dentre as origens do problema supra referido. Segundo Rogier Chartier, historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no âmbito digital. No entanto, na realidade brasileira esse ideal não é concretizado, pois as instituições não ofertam uma formação para alunos dominarem essa ferramenta tecnológica. Portanto, como consequência , o ensino pouco qualificado em tal área é responsável pelo entrave do analfabetismo na seara da tecnologia.
Em suma, a partir dos fatores supra citados, é evidente que tais eventos precisam ser solucionados. Para tanto, cabe ao governo federal, por intermédio do MEC- Ministério da Educação-, por meio de investimentos direcionados à melhorias de qualidade das escolas públicas do ensino fundamental II e médio, acrescentar nas grades curriculares as disciplinas básicas e fundamentais de informática e educação cibernética. Espera-se, com isso, desenvolver logo na infância o convívio com o ciberespaço e usá-lo não apenas para diversão, mas também como ferramenta de aprendizado. Por fim, diante dessas ações, é favorável que o Brasil supere tal impasse enraizado.