A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Na obra literária ‘‘Admirável Mundo Novo’’, é representada uma distopia, na qual os avanços tecnológicos contribuíram para uma grande desordem social e uma revolução na estrutura da sociedade. Analogamente, o avanço da Terceira Revolução Industrial, colaborou para problemáticas, tais como o analfabetismo digital. Nesse sentido, esse distúrbio tem causas refletidas no processo de modernidade, bem como na negligência das instituições governamentais no combate a essa adversidade.
A priori, é fulcral destacar as transformações sociais ocasionadas pela modernidade. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a era tecnológica foi acompanhada de um mal-estar da incipiente civilização moderna, marcada pela fragilidade dos laços e das práticas vituais. Tal teoria reforça a condição efêmera das redes de internet e explica o avanço do processo de analfabetismo digital, haja vista que, nos últimos anos tamanha foi a fragilidade do pensamento digital, a exemplo da grande veiculação de fake news, fato que influencia a dinâmica mundial.
Outrossim, é crucial pontuar a negligência do Estado como principal catalisadora desse problema. Segundo o filósofo John Locke, o Estado é responsável por garantir os direitos inalienáveis ao homem, tais como a liberdade e, também a educação. Sob esse prisma, é imprescindível que o governo atue na educação tecnológica da população, de forma a contribuir para a compreensão das condições de seu uso adequado. Entretanto, tal expectativa não se mostra vigente, como mostram dados do site Globo, os quais indicam que o Brasil possui taxa de 6,6% de analfabetismo.
Portanto, faz-se mister a intervenção do Estado nesse quesito. Para tal, urge que o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, elabore um projeto nacional de implementação de cursos técnico-informáticos nas escolas, para que haja mitigação do problema apresentado. Com efeito, jovens do país receberão ensino qualificatório para a utilização ideal das redes virtuais, de modo a compreender sua efemeridade, porém distanciar a realidade da distopia literária.