A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A famosa frase “Ordem e Progresso”, estampada na Bandeira Nacional, contempla o ideário positivista de avanço da nação. Não obstante, essa virtude parece não alcançar, com integralidade, a questão do analfabetismo digital no Brasil, principalmente, devido à precária educação oferecida pelo Estado, que culmina em um parcela da população excluída do ambiente digital - um duro golpe à democrácia. Posto isso, faz-se necessário um aprofundamento acerca desse mal social.

Ressalta-se, a princípio, a descabida displicência estatal no desenvolvimento da educação digital. Sobre isso, similarmente ao analfabetismo regular, o digital também precisa do ensino para ser combatido. Contudo, ao lançar olhar sobre o estudo do “The Inclusive Internet Index”, que colocou o Brasil na 31° colocação em um ranking que avalia o letramento tecnológico, percebe-se que esse ensino está longe de ser efetivamente implantado. Tal realidade, parafraseando o antológico Drummond, apresenta-se como uma pedra no meio do caminho da indispensável elucidação digital - uma situação incompatível e incoerente com um país que detém a nona maior economia mundial.

Outrossim, é imperioso destacar a prejudicial exclusão digital apoiada na problemática do analfabetismo digital. Nesse sentido, é prudente exemplificar o caos resultante da dificuldade de acesso aos benefícios do auxílio emergêncial durante a pandemia, a qual ocasiou perigosas aglomerações em enormes filas nos bancos, mas que poderiam ser amenizadas caso majoritária parcela daquela população vulnerável tivesse domínio dos recursos tecnológicos. Essa perversa realidade não somente prejudica a democratização dos meios digitais, mas também evidencia a desigualdade de acesso pontuada pelo exímio Milton Santos em sua obra “Por uma outra globalização”.

Em suma, são fundamentais ações funcionais para mudar essa realidade. Convém que o Ministério da Educação, o da Ciência e Tecnologia e Universidades, em compactuação intersetorial, promovam um plano nacional de alfabetização digital, com objetivo de fomentar o esclarecimento e domínio do acesso ao ambiente digital. Isso pode ser feito a partir da constituição de cursos gratuítos e sazonais, desenvolvidos em linguagem simple e objetiva, em todos os estados por discentes e docentes de graduações em tecnologia, mediante supervisão de especialistas do governo. Assim, espera-se um país mais igual e coeso relativamente aos ideais do positivismo de Auguste Comte.