A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma ilha imaginária na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que foi idealizado por More, uma vez que o analfabetismo digital destaca-se como um importante desafio a ser enfrentado pela sociedade. Esse cenário tem sua origem na carência de políticas educativas e possui impactos negativos na vida dos idosos. Logo, convém a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigá-la.

Vale ressaltar, a princípio, a carência de políticas educativas que valorizem a inclusão digital do idoso. Nesse sentido, a habilidade tecnológica é fundamental para garantir mais autonomia na realização de atividades básicas do cotidiano. No entanto, por não terem nascido em um ambiente tecnológico, muitos idosos que se aventuram no mundo virtual não possuem uma visão critica das informações que recebem, sendo necessário que sejam instruídos a distinguir notícias falsas. Sob essa perspectiva, o filósofo Paulo Freire destaca a educação como elemento fundamental para mudanças sociais e, por isso, defendia um ensino capaz de estimular reflexões críticas que levem a uma maior compreensão da sociedade. Desse modo, nota-se a importância da educação para o desenvolvimento intelectual e alfabetização tecnológica da terceira idade.

Ademais, há preocupantes problemáticas advindas desse contexto. Dentre elas, é possível destacar que o analfabetismo digital dificulta a integração, a convivência social, a manutenção do idoso no mercado de trabalho e deixa-os mais desinformados e susceptíveis à manipulação existente no meio virtual. Nesse contexto, segundo o sociólogo Émile Durkhein, a sociedade deveria funcionar de maneira análoga a um organismo biológico, no qual as partes interagem harmonicamente entre si. Entretanto, nota-se que o país ainda está distante dessa realidade, visto que muitos idosos ainda possuem dificuldade de se integrar socialmente por meio das novas tecnologias.

Portanto, providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas que, por meio de cursos de informática e uso de aplicativos presentes nos “smartphones”, possua como finalidade desenvolver as habilidades tecnológicas dos idosos, no combate ao analfabetismo digital. Esses cursos devem incluir oficinas pedagógicas e palestras que ensinem como distinguir informações inverídicas no meio virtual. Assim, essas medidas estarão em conformidade com o pensamento de Paulo Freire, que visa transformar a realidade brasileira por meio da educação.