A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/01/2021

O conceito de entropia, na Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. Fora das ciências da natureza, no que concerne a falta de instrução no meio cibernético, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange à questão do analfabetismo digital no Brasil, que persiste influenciado por uma base educacional lacunar e pela insuficiência legislativa.

Nesse cenário, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, a ausência de  um ensino qualificado. Para o filósofo Kant, o ser humano é o resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que se refere ao analfabetismo digital, explicita-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que hajam na resolução da problemática. Dessa forma, a aprendizagem fica cada vez mais limitada e defasada, comprometendo o ensino e a segurança da sociedade no meio virtual.

Outrossim, o déficit no âmbito da legislação apresenta-se como outro fator que influencia na dificuldade da resolução do problema. Apesar de ser garantia constitucional , segundo o artigo 205º da Carta Magna de 1988, a educação no meio digital está presente no cotidiano apenas de uma parcela da população, visto que ainda não está totalmente disseminada para todos. Essa desigualdade social ocorre devido as ínfimas politicas públicas de inclusão realizadas pelo Estado, o que demonstra a falta de aplicabilidade da lei nos dias hodiernos. Tal fato comprova o pensamento do escritor Gilberto Dimenstein, na sua obra “O Cidadão de Papel”, em que nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais da nação são cumpridas. Logo, os indivíduos são amparados e incluídos pelo Estado, apenas no papel.

Diante do exposto, em virtude do déficit educacional e da insuficiência legislativa, medidas devem ser tomadas. Para isso, é necessário que as famílias, em parceria com a liderança dos bairros, exijam do poder público o cumprimento do direito constitucional de educação aos grupos societários, de forma isonômica. Essa exigência deve se dar por meio da produção de ofícios e cartas de reclamação coletivos, com a descrição de relatos de pessoas da comunidade que sofrem com esse problema, a serem entregues nas prefeituras para que os princípios constitucionais sejam cumpridos. Destarte, talvez o universo de “O Cidadão de Papel” permaneça apenas na ficção.