A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/01/2021
A ascenção das tecnologias da informação, especialmente a partir da década de 1970, trouxe novos paradigmas para a sociedade. Nesse âmbito, percebe-se que a transferência de vários aspectos cotidianos para o ciberespaço impuseram novas necessidades aos cidadãos, o que originou um inédito problema social: o analfabetismo virtual. Assim, ao considerar esse dilema, percebe-se que a significativa exclusão digital existente no contexto nacional contribui para o aumento das desigualdades, o que deve ser combatido por meio de políticas públicas que promovam a inclusão digital.
Em primeiro plano, é relevante observar que a assimetria na posse das novas tecnologias é uma problemática grave e que catapulta o analfabetismo cibernético. A esse respeito, verifica-se que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 25% da população brasileira com mais de 10 anos não possui acesso regular à internet. Isso significa que quase 50 milhões de cidadãos estão aquém das benesses trazidas por essa ferramenta, como a educação a distância, as oportunidades de trabalho e o lazer. Desse modo, ao avaliar tal conjuntura, é notável que a exclusão virtual cerceia o direito pleno à cidadania de grande parcela da população. Assim, entende-se que é fundamental transpor a barreira da desigualdade tecnológica para garantir a instrução digital.
Em segundo plano, faz-se necessário discutir acerca das consequências que o analfabetismo virtual impõe à sociedade. É fato que no mundo contemporâneo os cidadãos estão cada vez mais dependentes das ferramentas digitais, o que sugere que ficar alheio a essa realidade trás prejuízos importantes. Vê-se, por exemplo, que a empregabilidade do sujeito pode estar em xeque, haja vista que a prospecção de colaboradores, bem como o ofício em si - a exemplo do trabalho remoto -, está cada vez mais dependente do ciberespaço, como aponta o site de empregos Catho. Diante dessa perspectiva, depreende-se que a falta de educação digital colabora com aumento das desigualdades sociais, pois as pessoas alheias ao ambiente cibernético estão em condição de inferioridade.
A partir do exposto, conclui-se que a exclusão digital no Brasil é um dos fatores responsáveis pelo analfabetismo cibernético, problema que pode aumentar os contrastes sociais. Assim, com o fito de promover a inclusão digital no país, é dever do Governo Federal prover acesso à rede mundial de computadores para toda a população. Tal ação pode ser alcançada por meio da atração de empresas de telecomunicações - mediante a incentivos fiscais -, que forneçam planos de internet a um custo menor do que o praticado atualmente. Ademais, o Estado deve, a exemplo do Bolsa Família, fornecer uma ajuda de custo às famílias carentes para que elas possam custear essas despesas. Dessa forma, o dilema do analfabetismo tecnológico será resolvido e os desequilíbrios sociais amenizados.