A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social configura-se pela falta de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que o autor prega, uma vez que a questão do analfabetismo digital no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concetrização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência estatal, quanto da desigualdade social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, é válido ressaltar a ausência de medidas governamentais mais efetivas para se combater o analfabetismo digital, uma vez que grande parte do problema é causado pela exclusão da população dos meios digitais. Nesse sentido, convêm analisar que em diversos locais mais distantes de grandes centros urbanos o acesso a internet não é uma realidade, como em áreas rurais. Essa conjuntura, seguindo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, uma vez que o Estado não cumpre com sua função de fazer com que os cidadãos gozem de direitos indispensáveis, como o a internet, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, deve-se apontar a desigualdade social como um impulsionador do problema. Segundo dados do índice de GINI, importante medidor socioeconomico mundial, o Brasil ocupa a 40º posição na lista de 100 países no quesito desigualdade. Essa disparidade também encontra-se refletida nos meios digitais, no qual a parte da população mais carente não encontra acesso, seja por falta de infraestrutura para tal, ou por falta de poder aquisitivo. Tal realidade vai de encontro com o pensamento do geógrafo Milton Santos, o qual afirmou que embora a globalização venha unir as pessoas, as populações excluídas desse processo permanecerão cada vez mais excluídas. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a se perdurar.

Percebe-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é fundamental que o governo federal, por intermédio do Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceira com o Ministério da Infraestrutura, realize o processo de expansão das redes de dados móveis para as áreas hoje desassistidas - implementando torres de transmissão, áreas de coberturas, além de doação de alguns equipamentos tecnologicos para famílias carentes - a fim de promover a conectividade de toda a sociedade brasileira. Assim, torna-se-á possível a constatação, cada vez mais na prática, dos ideais de Thomas More.