A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/01/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se comprovado com ênfase na prática quando se observa a analfabetização digital atualmente, dificultando, dessa forma, a universalização dessa concessão tão importante. O cenário vigente é fomentado tanto pela exclusão social, quanto pela falta de educação digital. Dessa forma, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.
Em primeira análise, cabe ressaltar o quanto a sociedade brasileira é hiper conectada, porém, de forma heterogênea. Exclui-se dessa maneira, uma grande parcela da população da revolução tecnológica, que ocorre no século vigente, tornando a alfabetização digital mais um impasse no Brasil. É notável isso no cotidiano, nos quais grandes grupos de pessoas – em destaque os idosos -, não conseguem utilizar as ferramentas digitais para solucionar algum problema. Por exemplo a utilização do aplicativo “Caixa Tem’’, desenvolvido durante a pandemia em 2020, o qual muitos indivíduos não sabiam interagir e eram forçados a buscarem um banco físico por falta de conhecimento tecnológico.
Ademais, é fulcral apontar a falta de educação digital como o impulsionador do conflito atual, visto que o mesmo, atrelado ao o outro causador, resulta em um enorme desfalque no conhecimento digital da sociedade, ficando esta, dependente de uma tecnologia ultrapassada. Assim, essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação digital, o que infelizmente é evidente no Brasil. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. Faz-se mister o Governo, paralelamente ao Ministério da Educação, promover uma campanha de educação digital eficiente a todos, por meio de instruções em anúncios em televisões e, também, através da inclusão de uma disciplina sobre tecnologia desde o ensino primário, a fim de ensinar a população conceitos tecnológicos e conectando esta, ao “mundo” digital. Assim, será possível garantir uma democratização ao acesso à educação digital a todas as faixas etárias, na qual o estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.