A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Segundo o filósofo contemporâneo Pierre Lévy, “a internet é um instrumento de desenvolvimento social”. Contudo, para que esse grande recurso da tecnologia possa efetuar melhorias, é necessário primeiro tratar sobre o tema do analfabetismo digital. Este, por sua vez, ocorre em virtude da falta de educação digital e do acesso restrito da tecnologia a determinados grupos apenas.
Em primeira análise, é imperativo pontuar que os recursos digitais são vistos, majoritariamente, como passatempo, tendo a função de promover entreterimento imediato. Contudo, é fundamental que eles também sejam usados a fim de discutir sobre pautas sociais e políticas. Ainda assim, percebe-se que publicações que abordam a vida de pessoas famosas, como as fofocas, ganham mais visibilidade comparadas àquelas que tratam de de assuntos sérios. Tal perspectiva vai de encontro com o pensamento do escritor R. Buckiminster, que afirma que “a humanidade está adquirindo toda tecnologia certa para as razões erradas”. Dessa forma, é importante ensinar a população com objetivo de que elas repriorizem o que fazer com os recursos digitais.
Em segunda análise, é evidente que o acesso às tecnologias no Brasil não ocorre de forma democrática em virtude das disparidades ecônomicas. Logo, a população de baixa renda não usufrui desse bem em razão ao seu valor e sua extensão limitada. Nesse interim, o noticiário Brasil de Fato publicou uma matéria afirmando que 46 milhões de brasileiros não têm acesso à internet, comprovando que o Brasil é um país desigual. Por conseguinte, as camadas que não convivem com a cibercultura diariamente acabam sendo excluídas por aquelas que estão habituadas a tê-la.
Portanto, é dever das escola, junto às famílias, estimular as crianças a serem engajadas socialmente e utilizarem as tecnologias para discussão de temas importantes. Ademais, ao Governo Federal, cabe investir em regiões onde há carência de acesso aos meios digitais, por meio de subsídios direcionados à instalação de redes de internet e distribuição de aparelhos tecnológicos - como celulares, tablets e computadores, por exemplo - a fim de garantir que os grupos menos favorecidos tenham acesso ao ciberespaço. Assim, pensamentos como o de Pierre Lévy poderão serão alcançados.