A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Desde a Terceira Revolução Industrial, em meados do século XX, a internet e as novas tecnologias surgiram como força motriz para a criação de uma sociedade interligada e informacional. Nesse cenário, a cidadania digital, ou seja, a responsabilidade no manuseio das tecnologias, surgiu como um fator de extrema importância para a manutenção dessas novas formas de comunicação. No entanto, a falta de incentivo familiar ao uso correto das novas tecnologias conduz, por consequência, ao desenvolvimento de uma sociedade vulnerável e despreparada à inserção no mundo cibernético.

Sob esse viés, segundo o empresário Steve Jobs, “a tecnologia moverá o mundo”. Ao seguir essa lógica, percebe-se na realidade brasileira que, com a falta de incentivos familiares para o desenvolvimento de uma população mais integrada no meio cibernético, o mundo não será conduzido ao seu pleno desenvolvimento. Nesse sentido, a família como primeiro meio de socialização do indivíduo – de acordo com o sociólogo Émile Durkheim –, possui fundamental importância no processo de contribuir para a cidadania digital desde a tenra infância de seus filhos. Assim, é imprescindível a contribuição familiar, aliada a governamental, na construção de indivíduos aptos a inserção no mundo virtual, ensinando-os a utilizar a internet não apenas como um passatempo, mas como uma ferramenta de inclusão e desenvolvimento sociocultural.

Por consequência, a falta de incentivos ao desenvolvimento digital desde a tenra infância, corrobora em uma geração cada vez mais vulnerável e despreparada aos desafios impostos pela era virtual. Em vista disso, de acordo com o filósofo polonês Zygmunt Bauman, as redes sociais podem ser comparadas com armadilhas, haja vista o alto índice de crimes cibernéticos que assolam o contexto atual. Desse modo, tais dados se materializam quando o Brasil insere-se na quarta posição no ranking de países que mais confiam em informações compartilhadas nas mídias virtuais, segundo a The Economist. Infere-se, portanto, que internet e o alfabetismo digital formam uma díade imprescindível para o desenvolvimento de um país.

Destarte, ao transcender a perspectiva das palavras ditas, é preciso um plano de ação concreto e solidificado que solucione o algoz do analfabetismo digital no Brasil. Isto posto, é preciso que o Ministério da Educação, com o auxílio familiar, possibilite a interação de forma correta das crianças com as novas ferramentas tecnológicas, elaborando projetos socioeducativos que envolvam não só as crianças, mas o todo social, instruindo, por meio de jovens capacitados, a utilização coerente do meio cibernético, com o fito de que seja concretizado a alfabetização digital e diminua a vulnerabilidade no âmbito digital. Só assim, ter-se-á uma cidadania digital acessível a toda uma sociedade brasileira.