A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Contrato social: da teoria à prática

A Constituição Federal, de 1988, prevê em seu artigo 6o, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o analfabetismo digital no país. Diante disso, denota-se que os problemas da exclusão digital e da falta de formação no âmbito educacional explicam essa realidade e precisam ser superados.

Antes de tudo, é necessário perceber o impacto da desigualdade social  na tecnologia. Nessa lógica, essa disparidade faz com que uma elevada parcela da nação não possua familiaridade com a internet, o que resulta em uma dificuldade de adaptação ao uso da mesma, visto que, a população mais rica possui fácil acesso aos meios digitais devido ao seu alto valor no mercado. Ademais, o poder público não contribui de modo eficaz para viabilizar para pessoas desprivilegiadas, o acesso a esses meios. Nessa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como uma educação igualitária.

Além disso, os desafios da alfabetização digital também podem ser atribuídos à falta de uma educação formadora, dado que, as instituições de ensino não ofertam uma formação para os alunos dominarem as ferramentas tecnológicas. Nesse cenário, pessoas de diferentes faixas etárias que possuem fácil acesso a tecnologia, não a usam adequadamente, e por isso, confiam facilmente no que é dito nas plataformas online. Em um panorama como esse, parece difícil imaginar soluções definitivas. Para isso, todos os setores da sociedade precisam sair de seu atual estado de inércia.

De fato, diante da necessidade de se combater esses obstáculos, é imprescindível que o governo invista em regiões menos favorecidas economicamente, por intermédio de, implementação de centros de informática em escolas e bibliotecas públicas, a fim de, proporcinar um acesso mais democrático aos meios tecnológicos. Apesar da necessidade de resultados imediatos, a melhora não pode se limitar a paliativos. Nesse contexto, o trabalho do governo pode ser complementado por ONGs, cujas funções sejam de capacitação com ensino solidário em centros públicos.

Depreende-se, portanto, a urgência de medidas concretas. É essencial que o que o Ministério da Educação introduza métodos mais eficazes, por meio de novas disciplinas, que estimulem a familiarização dos jovens com os meios digitais, tendo como consequência, gerações mais adaptadas ao mundo da tecnologia. Assim, é possível consolidar uma sociedade mais justa, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.