A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

“O mais escandaloso de todos os escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode ser facilmente aplicada ao analfabetismo digital, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática, é o fato de a população se habituar a essa realidade. Nesse sentido, torna-se fundamental a discussão dos aspectos que permeiam esse empecilho - a falta de acesso aos recursos digitais e o descaso governamental -, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, é imperativo destacar a carência de equipamentos eletrônicos pela população mais desfavorecida economicamente como impulsionadora do problema. Por esse ângulo, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de inclusão digital eficiente; entretanto, isso não ocorre no país. Esse fato é evidente, uma vez que os cidadãos de baixa renda, devido às suas condições financeiras precárias, não têm acesso a computadores e à internet, o que retarda o processo de alfabetização digital. Fica claro, portanto, que é imprescindível a alteração desse cenário deletério e excludente de forma urgente.

Outrossim, evidencia-se a baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam essa recorrência. Esse raciocínio é comprovado pelo papel passivo que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) exerce na administração do Brasil. Infelizmente, esse órgão ignora ações que poderiam, potencialmente, fomentar a inclusão digital no país e, por conseguinte, a alfabetização nesse meio, como direcionar capital para a construção de salas de informática públicas, com aparelhos eletrônicos e internet disponíveis gratuitamente ao povo. Desse modo, é lícito afirmar que o Estado atua como agente perpetuador desse imbróglio; logo, faz-se mister a alteração dessa postura governamental.

Dessarte, com o intuito de combater o analfabetismo digital na sociedade brasileira, urge que o Ministério da Educação, por meio de um amplo debate entre cidadãos, Estado e MCTI, lance um plano intitulado “Brasil Informático”. Esse projeto deve implementar aulas de informática no ensino público básico, fornecendo salas equipadas com materiais e recursos necessários para aprendizagem, além de destinar parte desse espaço ao público em geral, propiciando a interação, orientada por profissionais, dos indivíduos com a esfera digital. Dessa maneira, a coletividade irá se habituar a uma nova realidade, mais inclusiva e esclarecida.