A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

O analfabetismo digial diante da cibercultura

No filme “O doador de memórias”, a população vive em um mundo ideal, ao passo que as memórias ruins são retiradas das pessoas (sem o que elas saibam) e protegidas por um guardião, que é quem possui o conhecimento. De maneira análogoa, ao debater sobre a influência do universo digital, é possível comparar o longa com a realidade de diversos brasileiros, visto que muitos cidadãos se encontram alienados em virtude do analfabetismo digital no Brasil, o que se configura como um grande desafio. Destarte, é importante salientar a disparidade socioeconômica, além da privação de acesso à direitos, em decorrência de tal problema no país.

Outrossim, o Brasil tenta incluir o meio digital cada vez mais na realidade social da população, entretanto, ainda existem muitos obstáculos, sobretudo os socioeconômicos. Mesmo que, recentemente, tenha sido aprovada a Lei 14.109/2020, que visa melhorar a qualidade e a integração dos serviços de internet e comunicação na busca da redução da desigualdade, o cenário atual é contrastante com relação à disponibilidade de acesso. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, 1 de cada 4 brasileiros não tinham conexão à rede. Dessa forma, a inviabilidade do uso digital agrava o entrave social.

Ademais, é imperativo destacar que o analfabetismo digital amplifica a desigualdade de acesso a direitos previstos no artigo 6º da Constituição Federal de 1988, tal como lazer e assistência. Conforme elucidado por Pierre Lévy, no livro “Cibercultura”, o atual contexto histórico se dá em um mundo conectado, que se expande para as relações socioculturais, de modo contínuo e indissociável. A partir disso, faz-se presente que, com o mundo codependente da tecnologia, seja para o lazer, como assistir filmes ou conversar com amigos, seja para assistência financeira, como receber o auxíllio emergencial, aqueles que não sabem utilizar os meios digitais são prejudicados, sendo cruelmente limitados de gozarem plenamente de seus direitos.

Posto isso, é imprescindível que a alfabetização digital seja amplamente difundida no país. Para tal, o Pode Executivo, por meio do Ministério da Cidania, deve promover oficinas semanais nos Centros de Referência de Assistencia Social (CRAS), voltadas para o público em geral, em especial adultos de meia idade. Tais encontros devem promover o “letramento digital”, mostrando as principais ferramentas de acesso e recursos disponíveis na internet, para que, desta maneira, mais cidadãos tenham conhecimento sobre a utilização dos recuros digitais e possam ser socialmente incluídos na cibercultura, de modo garantir o pleno exercício constitucional.