A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 14/01/2021
De acordo com Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. No entanto, o que se observa na realidade brasileira é que o analfabetismo digital está transformando a tecnologia em um meio de opressão. Tal perspectiva é favorecida não só pela desigualdade social presente no país, mas também pela ausência de educação tecnológica. Sendo assim, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação.
Nesse sentido, convém ressaltar, primeiramente, que grande parte dos brasileiros não possui acesso às ferramentas digitais. Comprovando isso, dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam o Brasil como exemplo de desigualdade de acesso a tecnologia, especialmente nas instituições de ensino. Tal contexto tournou-se evidente em 2020, pois em meio a pandemia de Covid-19 alunos de todo o Brasil precisaram estudar em casa, e muitos jovens foram prejudicados pois sequer tinham acesso à internet. Logo, o primeiro passo para combater o analfabetismo digital é lutar contra desigualdade social.
Ademais, vale salientar que devido a falta de educação digital, os adolescentes veem o meio apenas como uma forma de entreterimento. De acordo com dados da “Fundação Instituto de Administração” o ambiente da educação é o que mais tem a necessidade de se renovar na “Era da Informação”. Todavia, essa renovação fica comprometida se os alunos são souberem aproveitar o melhor da tecnologia. Dessa forma, é necessário reverter esse quadro urgentemente.
Portanto, ações são requeridas para mitigar o problema. Assim, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve auxiliar os alunos baixa renda, a partir do fornecimento de computadores e internet. Também deve implementar a disciplina “Educação Tecnológica” por meio de uma lei Federal, que obrigue todas as escolas a promover a educação digital. Desse modo, o analfabetismo digital deixará de ser um entrave no Brasil, e a tecnologia será instrumento da democracia, como propôs Pierre.