A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Os avanços do conhecimento humano são imensuráveis, como mostrou a Revolução Industrial, caraterizada pela produção em larga escala e facilitação da vida. Esse fato implicou não só na evolução do sistema comercial mas também a dinamização das relações humanas. Da mesma forma, observa-se na hoje, novas perspectivas de vida pelo desenvolvimento de novas tecnologias digitais. Contudo, essa realidade não é comum à todas as pessoas, já que existe um grande número de analfabetos digitais no Brasil, problema acentuado pela exclusão social e ineficiência estatal, que impedem esse importante processo de característico de sociedades desenvolvidas e que priorizam a educação.

Em primeira análise, cabe salientar que a formação educacional digital está intrinsecamente ligada ao aspecto socioeconômico da exclusão pela desigualdade. Assim, como afirmou o renomado geórgrafo Milton Santos, a democracia só é efetiva quando atinge todo o corpo social, não há como equiparar o acesso aos meios digitais sem que a educação atinja a todos. Entretanto, a democratização da alfabetização está cada vez mais distante, dadas as distorções sociais pela alta concentração de renda nas regiões Sul e Sudeste do país, enquanto as regiões Norte e Nordeste são as mais carentes, segundo dados do IBGE. Por consequência, essas populações mais pobres possuem menor quantidade de alfabetizados digitalmente. Infere-se, pois, que a diminuição da desigualdade social é condição necessária para que se tenha uma alfabetização digital de qualidade.

Em segunda instância, é necessário notar a ausência do Estado em políticas públicas que democratizem o acesso aos meios digitais. Essa tese é explicada por Milton Friedman, um dos maiores economistas da história, que afirmou que os governantes não gastam o dinheiro dos contribuintes como gastam o seu próprio dinheiro. Nesse sentido, o economista indica a ideia de que muitos Estados não são capazes de investir o que arrecadam conforme as reais necessidades da população. Do mesmo modo, percebe-se que o Brasil não direciona suas verbas para a alfabetização digital como deveria, ainda que essa seja uma necessidade social urgente. Logo, para que tal objetivo tenha sucesso, é necessária a participação representativa da população nas decisões do Estado.

Dado o exposto, é preciso que o Estado tome medidas em favor da alfabetização digital, tendo em vista a relevância desse processo para o progresso da nação. Essa ação deve partir de um projeto chamado “Brasil digital”, que por meio da distribuição de equipamentos eletrônicos para regiões mais carentes, tornará mais acessível a democratização da tecnologia. Além disso, buscará educadores especializados para instruir essas pessoas quanto ao uso desses aparelhos.Tal plano facilitará a vida de muitas pessoas e poderá corrigir os mais diversos problemas sociais.