A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 14/01/2021
A Revolução Técnico-Científico-Informacional (RTCI) proporcionou a maximização do fluxo de informações e o acesso a esses dados por meio das novas tecnologias. No entanto, observa-se que esses benefícios não são acessíveis a todas as pessoas no atual contexto brasileiro, haja vista a questão do analfabetismo digital. Por isso, é imprescindível analisar os fatores agravantes dessa problemática, dentre os quais se destacam: a exclusão virtual e a educação tecnológica precária.
Com base nesse cenário, cabe ressaltar, de início, a segregação na internet como um dos desafios principais a falta de conhecimento sobre o mundo digital. Acerca disso, segundo o filósofo francês Pierre Levy: ‘’toda nova tecnologia cria seus excluídos’’. Isso posto, vê-se uma aproximação dessa ideia com a precária familiaridade de inúmeros nativos com as redes virtuais, a julgar pela condição socioeconômica desfavorecida deles, a qual dificulta o acesso às ferramentas que permitem transitar na ‘’web’’, tendo em vista o preço elevado destas. Logo, a cidadania dessas pessoas é violada, pois vários direitos, documentos e informações têm como principal veículo o mundo eletrônico, agravando, assim, a exclusão social vivida por elas.
Além disso, evidencia-se outro aspecto potencializador do analfabetismo digital no país: a parca instrução do uso das novas tecnologias. A esse respeito, de acordo com o educador brasileiro Paulo Freire, em sua obra ‘’ Pedagogia da Autonomia’’, a educação deve estimular os alunos a desenvolverem autonomia na aprendizagem a fim de terem maior criticidade e mais entendimento da realidade. No entanto, percebe-se que muitas escolas não incentivam a independência e segurança aos discentes no tocante ao uso dos equipamentos tecnológicos, em razão de os professores não possuírem uma formação acadêmica adequada. Dessa forma o número de iletrados da internet continua crescendo — fator facilitador de crimes e de ataques nas telecomunicações e dificulta a acessibilidade aos benefícios da RTCI — no território nacional.
Portanto, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, em parceria com as Secretarias do Desenvolvimento Regional, deve criar centros de informática gratuitos nas regiões mais carentes do Brasil, mediante verbas governamentais. Esses espaços precisam ter profissionais formados em tecnologia da informação com o fito de fornecer acesso ao ambiente da internet e conhecimentos sobre ele para as famílias mais pobres. Outrossim, o Ministério da Educação precisa criar cursos capacitadores de professores no ramo virtual, a fim de os docentes fornecerem saberes e autonomia — aptidões defendidas por Freire — sobre o mundo da ‘’web’’.