A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

O analfabetismo digital é um sintoma de exclusão social que impede o exercício da plena cidadania. A formação educacional e as  desigualdades sociais contribuem para a existência e a permanência desse quadro. De acordo com o relatório de desenvolvimento humano, O Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, o que confirma esse problema.

Segundo Pierre Lévy, vivemos numa sociedade hiperconectada. O  vigente modelo de educação é ineficiente nesse cenário ao passo que não corresponde ao momento social vivenciado através das Tecnologias de Informação e Conhecimento (TIC´s), que são os equipamentos, programas e aplicativos essenciais para o acesso à internet. Isso foi ilustrado durante a pandemia do novo coronavírus, que evidenciou o despreparo das instituições educacionais na realização de vídeo-aulas e das instituições governamentais no oferecimento do auxílio emergencial, deixando milhões de pessoas à margem da nova realidade.

Essa exclusão reflete um grave problema social que impede a plena cidadania, pois segundo a ONU, o acesso à internet é um direito humano do século XXI. Dessa forma, a desigualdade social impede desde o início a possibilidade de letramento digital autodidata pelo encarecimento dos aparelhos e das redes de acesso à internet e também pela falta delas. Isso contribui para o surgimento de pessoas mais vulneráveis a fake news e golpes, já que a desinformação vem de vários canais.

Para minimizar esse retrocesso informacional e diminuir a manipulação de  pessoas, é preciso que o Ministério da Educação estimule a proficiência de professores e ofereça o letramento digital para a população, assim como introduzí-la como disciplina básica na grade educacional. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação deve contribuir também investindo na ampliação de redes, principalmente nas áres mais periféricas e lançando planos de subsídios para computadores e redes de internet. Dessa maneira, a sociedade pode evoluir integrada e consciente sobre o poder informacional que os meios virtuais oferecem.