A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne à questão do analfabetismo digital no Brasil, verifica-se uma lacuna na manutenção dos direitos. Nesse sentido, percebe-se a consolidação de um cenário desafiador, em virtude da falta de investimentos e silenciamento.

Convém ressaltar, a princípio, que a falta de investimento é um fator determinante para a persistência do problema. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimentos no Brasil, somando setores público e privado, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Entretanto, para agir sobre problemas coletivos, como a questão da alfabetização digital, é preciso investimento massivo nessa área. De acordo com essa lógica, verifica-se que o Governo, em vez de destinar a aplicação do dinheiro público recolhido dos tributos nesse processo de acessibilidade, investe em outros setores ou demandas, o que atua como forte empecilho na resolução dessa questão devido à lacuna financeira.

Além do mais, surge a questão do silenciamento, que intensifica a gravidade da problemática. Sob essa perspectiva, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender a linguagem como forma de ação. Desse modo, para que o problema como o do analfabetismo digital seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema, salientando a equivocada imagem de que a internet não é para todas as idades. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria chance de atuação nele.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse panorama. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam rodas de leitura e oficinas de workshop sobre o analfabetismo digital. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, por meio de dinâmicas e entrevistas com convidados especialistas no assunto. Além disso, não devem se limitar ao alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas possam debater, aprender e emitir opiniões ao poder público, e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.