A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Steve Jobs, fundador de uma das empresas mais rentáveis do mundo, afirmou que a tecnologia é engrenagem fundamental no movimento da contemporaneidade. Apesar da notória importância que as técnicas digitais possuem no mundo atual, muitos são os cidadãos brasileiros que sofrem com sua carência. Isso se deve, mormente, à desigualdade social vigente no país, que segrega os analfabetos digitais e priva-os de desfrutar das benesses advindas da globalização em sua totalidade.
Em primeira instância, é necessário ressaltar que a disparidade entre as classes sociais é fator determinante nos altos índices de analfabetismo digital do país. Embora o acesso à internet seja um direito humano garantido a todos os individuos pela ONU, desde 2011, a realidade brasileira mostra-se transgressora a tal artigo. A despeito disso, nota-se que a parcela mais pobre da população não possui acesso às inovações tecnológicas. Isso se deve ao custo elevado dos aparatos tecnológicos e a falta de políticas públicas governamentais que visem democratizar o acesso à tecnologia, medida indispensável no atual cenário digital vigente.
Em segunda instãncia, é preciso analisar que a privação dos recursos tecnológicos exclui parte dos cidadãos da vida social. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, em sua teoria intitulada “Invisbilidade Social”, a sociedade, de um modo geral, invibiliza as minorias e as marginaliza. A invisibilidade retratada pela filósofa pode ser observada de forma clara no Brasil, ao passo que, a parcela digitalmente analfabeta da população, é excluida da participação social em diversos âmbitos. Essa realidade se manifesta na facilidade com a qual os indivíduos alfabetizadas tecnologicamente encontram para realizar funções cotidianas como pagar uma conta bancária, por exemplo; benefícios esses os quais os isentos de conhecimento tecnológico deixam de desfrutar.
Com base no exposto, medidas tornam-se necessárias. Ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações, em parceria com as secretarias municipais de Assistência e Desenvolvimento Social, compete o dever de disponibilizar cursos à parcela socialmente segregada tecnologicamente da população. Esses cursos deveriam ocorrer de forma semanal em telecentros voltados unicamente para esse fim, com o objetivo de inserir esse grupo na vida social e proporcinar à ele os benéficios que a era digital oferece. Concretizando-se tal medida, espera-se que a questão do analfabetismo digital no Brasil seja sanada e que o Governo passe a viabilizar esses indivíduos, superando, assim, o problema da Invisbilidade Social proposto por Simone de Beauvoir.