A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 28/10/2021

Em 1977 o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein criou o conceito de analfabetismo digital para caracterizar os indivíduos que não possuem conhecimento completo sobre a tecnologia. No panorama contemporâneo brasileiro, tal parcela populacional atinge altos índices e enfrenta dificuldades para a comunicação e a boa qualidade de vida, sendo a desigualdade socioeconômica o principal fator que endossa o problema.

Diante desse cenário, é relevante mencionar como os leigos no tópico tecnológico são marginalizados na sociedade. A esse respeito,  convém abordar que, desde o início da Terceira Revolução Industrial - em meados do século XX -, a internet e a modernização se tornaram parte fundamental do cotidiano pois facilitaram a propagação e o acesso às informações, comunicação entre as pessoas e o mercado. Nesse sentido, fica nítido como os analfabetos digitais são prejudicados pelo desconhecimento do assunto, tendo dificuldade para aprender, se relacionar com os alfabetizados e comprar objetos de desejo, e como consequência, são excluídos.

Ademais, é necessário citar a principal causa dessa problemática: a desigualdade social. Isso pois, conforme defendia o filósofo Pierre Lévy, o crescimento do ciberespaço - onde ocorre as novas interações sociais - irá aumentar ainda mais o abismo entre os bem nascidos e os excluídos. Tal fato ocorre porque a pessoa não é capaz de se adaptar ao novo espaço se não conhecê-lo e com isso, cria-se uma divisão entre aqueles adaptados às novidades e os desconhecedores, que se tornam os mais afetados. Desse modo, como parte considerável da nação brasileira - de acordo com o Coeficiente de Gini, o país está entre as 10 nações mais desiguais - é obstruída do acesso à internet, torna mais difícil a superação dessa difícil realidade.

Medidas são necessárias, portanto, para a reversão do analfabetismo digital no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Ciência e da Tecnologia - principais instituições envolvidas no assunto - devem promover a alfabetização tecnológica por meio da introdução do ensino digital como matéria nas escolas e da promoção de cursos gratuitos sobre o tópico para todo o povo, com o fito de democratizar as informações sobre o eixo tecnológico e, além disso, tal ato é capaz de engajar a população no combate à marginalização. Outrossim, convém ao Governo Federal criar auxílios financeiros aos Estados menos favorecidos economicamente a fim de ajudar a bancar os custos para a aquisição de eletrônicos modernos. Dessa maneira, o país conseguirá ir de encontro ao defendido por Lévy e o conceito de Dimenstein existirá apenas na teoria.