A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 15/01/2021
“O homem se torna aquilo que a educação faz dele”. Segundo o filósofo Imanuel Kant, a educação é responsável por moldar o homem, tornando-o quem é. No Brasil, no entanto, é notável um desvirtuamento da população ocasionado, muitas vezes, pela inexistência desse processo de transformação. A internet, como exemplo de plataforma educadora e de inserção digital, não obteve sucesso em alcançar de forma democrática todas as parcelas da população e, mesmo onde chegou, as pessoas não foram instruídas em relação a forma correta de usá-la.
Precipuamente, é fulcral inferir que a perspectiva capitalista, sob o qual o processo de disseminação das redes no Brasil está inserido, culmina na ausência de internet nos lares mais humildes. Segundo Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, leis aplicadas são mais importantes que leis elaboradas. Nessa linha de raciocínio, são nítidos os efeitos negativos, como o analfabetismo digital, decorrentes da ineficácia do poder executivo em tornar reais os efeitos do Marco Civil da Internet, lei federal, em vigor desde o ano de 2014, que garante o direito ao acesso à internet como essencial ao exercício da cidania.
Ademais, é imperativo pontuar a insuficiente atuação do Estado, ao tentar garantir ao cidadão a capacidade de gerir adequadamente seu acesso as redes, como fundamental nessa problemática. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de atuaçao das autoridades, o brasileiro é, muitas vezes, incapaz de navegar na rede mundial de computadores de forma segura para si e para os que com ele interagem. Esse comportamento inclui a falta de desconfiança ao lidar com notícias, contribuindo para a disseminação de fake news.
Portanto, cabe ao ministério da educação, por meio de uma mudança na base nacional comum curricular, inserir conteúdos educativos relacionados ao uso adequado das redes, como acerca do reconhecimento de fake news, a fim de mitigar o espalhamento de desimformação entre a população. Além disso, faz-se mister que o ministério da economia direcione recursos de forma a subsidiar o acesso a internet por famílias que não possuem condições de contratar esses serviços. Assim, pode se tornar real a ideia de uma sociedade transformada pela educação, como pensou Kant.