A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Na obra “Brasil: uma biografia”, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas, destaca-se “a difícil e tortuosa construção da cidadania tecnológica”. Tais incongruências originam-se porque, embora os cidadãos sejam amparados por uma das legislações mais avançadas do mundo, na prática muito do que é previsto não se concretiza. Este fato é evidenciado no âmbito da questão do analfabetismo digital no Brasil, tendo em vista que apesar da educação ser um direito constitucional, a ineficiência do Estado associada a uma cultura de falta de conhecimento das leis por parte dos brasileiros, perpetuam o país em uma contradição que exige reivindicações para ser alterada.

A princípio, a ineficiência do Estado em aplicar as leis que garantem o auxílio tecnológico dos brasileiros acentua as desigualdades socioeconômicas e é empecilho ao desenvolvimento humano. Seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela prática da corrupção que permeia a esfera pública, a parcela mais vulnerável da população dependente da educação a distância, sofre com a escassez da cobertura de internet, estrutura de redes e profissionais da área para suporte. De acordo com o Artigo 6o da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito social garantido a todos, entretanto há uma discrepância significativa entre teoria e prática, o que deve ser constantemente questionado pelos cidadãos.                                                              Ademais, a falta de conhecimento das leis por parte dos brasileiros provém de um sistema educacional falho que não transmite a base do direito constitucional para os estudantes. No livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento sobre seus direitos, acabava sendo explorado e subjugado por aqueles que detinham o saber. Nesse viés, no Brasil são milhares os “fabianos” que deixam de reivindicar seu direito à educação cibernética por não conhecê-la de maneira profunda. Dessa forma, a ampliação do acesso à rede é imperativa para alertar os brasileiros sobre sua condição de marginalização no “mundo cibernético” e para inseri-los.

Portanto, pode-se inferir que o analfabetismo digital no Brasil é um tema relevante e que carece de soluções. Sendo assim, para mitigar essa problemática, cabe ao governo federal, em parceria com o Ministério da Educação, ensinar acerca das tecnologias virtuais, por meio de projetos pedagógicos à população, a fim de democratizar o conhecimento eletrônico. Outrossim, o Estado deve introduzir os indivíduos desconectados às tecnologias da informação, por intermédio da criação de “espaços wi-fi”, no qual haverá a acessibilidade gratuita. Assim, a construção da cidadania digital será facilitada e os “fabianos” se tornarão, de fato, cidadãos plenos.