A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Inspirada pelo positivismo de Augusto Comte, a inscrição da bandeira nacional brasileira sugere que o progresso só é conquistado mediante o estabelecimento da ordem. Todavia, o caos promovido pelo analfabetismo digital da maioria da população brasileira, impede que o país avance nno sentido de utilização e criação de novas tecnologias, pois o mundo está cada vez mais tecnológico e excludente. Este relevante problema decorre, principalmente, da ineficiência estatal e da falta de mobilização da sociedade civil.

A princípio, nota-se a negligência da população em aprender novos conhecimentos voltados para o meio digital, o que se configura como um fato social. Este conceito, criado pelo sociólogo francês Émile Durkheim, afirma que valores exteriores e gerais se impõem sobre o sujeito de modo coercitivo e moldam seu comportamento. Nesse viés, a ausência de movimentos sociais e mobilizações coletivas que visem demonstrar a importância de sempre está se atualizando sobre os novos recursos tecnológicos e de como manuseá-los, por exemplo, desestimula os indivíduos na busca por soluções. Como consequência dessa inação, o Brasil possui altos ínidices de analfabetismo digital.

Destaca-se, ainda, a ineficiência estatal no enfrentamento do problema. Segundo a teoria do “Contrato Social”, do filósofo inglês John Locke, o Estado tem a função de suprir todas as necessidades básicas da população, como o acesso a novos conhecimentos. No entanto, há uma violação desse contrato no Brasil, dado que a Constituição Federal de 88 garante esse direito, porém a regulamentação e, principalmente, a execução dessas leis não são capazes de superar os altos índices de analfabetismo digital no país. Esse cenário reforça a posição do Brasil entre as piores do mundo no setor e, sendo assim, deve ser enfrentado frontalmente.

Destarte, considerando as informações supracitadas, é evidente a necessidade de mobilização da sociedade civil e de atuação mais efetiva do Estado. Nesse sentido, as empresas de rádio, TV e mídias digitais — devido a sua grande influência na sociedade — devem criar campanhas de conscientização sobre a importância de realizar um “upgrade” mediantes aos meios digitais, por meio de anúncios publicitários, cobertura jornalística e obras de ficção engajadas, com o objetivo de despertar o interesse da população pela busca por conhecimentos tecnológicos. Além disso, cabe ao Poder Legislativo criar e aprimorar leis na área em questão, de modo a se equiparar com as melhores experiências internacionais, para, assim, restabelecer-se a ordem necessária para o progresso do país.