A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 23/08/2021
‘’Analfabite’’: nuvem sem armazenamento
A Constituição Federal de 1988 assegura que o acesso à internet é um direito fundamental para o pleno desenvolvimento da cidadania no Brasil. Nesse sentido, a questão do analfabetismo digital é um problema urgente, pois situa grande parcela da população brasileira às margens do pleno acesso a informação e à participação efetiva da vida em sociedade. Dessa forma, é indubitável que a negligência do poder soberano e a exclusão digital são elementos que configuram o presente cenário. Assim, faz-se necessária a promoção de medidas eficientes para se concretizar o letramento tecnológico.
Em primeira análise, destaca-se que a ausência de planos governamentais para combater o analfabetismo digital. No tocante a esse aspecto, John Locke, filósofo empirista, revela, por meio do ‘contrato social’, que o Estado deve zelas pelos direitos da população. Nesse contexto, percebe-se que os órgãos federais violam a presente teoria política, uma vez que agem contra a democratização tecnológica, por meio da carência de medidas que promovam a alfabetização tecnológica. Dessa maneira, verifica-se o aumento gradativo dos segregados digitais pelo poder público.
Por conseguinte, a exclusão tecnológica transforma-se em exclusão social. Quanto a tal fato, o filósofo francês, Pierre Lévy, aborda que a internet é um meio que promove a inteligência coletiva, pois organiza os usuários em grupos e comunidades para se estabelecer a troca de conhecimento e informação. Com base nisso, constata-se a urgência da democratização do acesso à internet, pois muitos indivíduos ficam privados das relações que são estabelecidas nas redes. Além disso, muitos fatos, acontecimento e serviços estão condicionados ao meio digital, promovendo, com isso, exclusão social, uma vez que impossibilita o acesso a tais direitos e a trocas informacionais.
Fica claro, portanto, que medidas são imprescindíveis para combater o analfabetismo digital. Nesse viés, é dever do Governo, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, a concessão de subsídios a computadores e à internet, por meio de programas governamentais que atendam à população isenta do poder de compra dos aparelhos, para que se socialize o acesso às tecnologias da informação. Além disso, deve-se promover o letramento digital, por meio de oficinas gratuitas em horários diversos. Dessa forma, será possível construir um ambiente onde se faz ausente o ‘’analfabite’’- indivíduos carentes de informação quanto a linguagem tecnológica- e crescente a cultura da nuvem repleta de armazenamento digital.