A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 16/01/2021
Desencadeada na segunda metade do século XX, a Terceira Revolução Industrial proporcionou um grande avanço em diversos eixos sociais. Todavia, com o advento da internet e por seguinte a intensificação do seu uso na contemporaneidade, o analfabetismo digital tornou-se um problema no tecido social brasileiro. Tal impasse persiste na sociedade devido à ausência de uma educação digital aliada à desigualdade social.
Mormente, é válido ressaltar a falta de um ensino computacional como um dos impulsionadores do problema. Nesse sentido, é notório a ausência de políticas públicas de incentivo ao combate do analfabetismo digital no corpo social brasileiro e, por conta disso, parcela da população tende a ficar desamparada e acaba por perder oportunidades na vida acadêmica e profissional. Sob essa visão, Nelson Mandela - ativista político, afirmou que a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Assim sendo, é essencial o investimento numa educação digital de qualidade para reverter a questão, tendo em vista que ignorar a situação colabora para intensificação de mazelas sociais intrínsecas na sociedade e fere os direitos constitucionais do cidadão.
Outrossim, a disparidade social contribui para o agravamento da problemática. Nessa perspectiva, de acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade no país, o Brasil é uma das nações mais desiguais do mundo. Logo, parte da população, mais especificamente de renda baixa, convive, muitas vezes, sem acesso à internet e dispositivos móveis, o que deixa essas pessoas impossibilitadas de usufruir desses recursos. Assim sendo, por não conviver diariamente com meios de comumicação aliado com a falta de condições para obtê-los, o público carente acaba segregado e, consequentemente, o analfabetismo digital avança. Destarte, combater as injustiças faz-se necessário para atenuar o impasse e promover oportunidades para todos.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação, por meio da disponibilização de profissionais especializados na área, promover um ensino digital de qualidade para a população carente nos laboratórios de informáticas das escolas públicas, com o fito de promover melhores condições de trabalho e na vida acadêmica dos cidadãos, especialmente para a comunidade de baixa renda que não usufrui desses recursos. Ademais, o Estado deve investir na produção de produtos de baixo custo, a fim de promover a facilidade de acesso a esses meios de comunicação para parcela da população carente. Espera-se, com isso, atenuar o analfabetismo digital e reverter o quadro de alto grau de desigualdade social existente no país, assim como mostrou o índice de Gini.