A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 16/01/2021
O escritor inglês Thomas More retrata, em sua obra “Utopia”, uma sociedade perfeita, padronizada pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o analfabetismo digital no Brasil tem se tornado um impasse o qual dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ineficácia governamental, quanto das desigualdades sociais encontradas no país. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos , a fim do pleno funcionamento do corpo social.
Cabe mencionar, em primeira instância, a negligência estatal como ponto relevante à temática. Nesse sentido, o filósofo Thomas Hobbes, em seu livro “O Leviatã” , afirma que o Estado tem o dever de promover meios que auxiliem no progresso da sociedade. Todavia, a máxima do pensador contraria o cenário vigente, tendo em vista que o poder público não direciona um olhar a ações que poderiam resolver a questão do analfabetismo digital, como investir na inclusão dos meios tecnológicos desde o ensino básico. Logo, enquanto as autoridades forem omissas, será observado a perpetuação do problema.
Ademais, as disparidades sociais é outro fator que contribui para a permanência do analfabetismo digital no Brasil. Nesse contexto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , cerca de 30% da população brasileira não tem acesso à internet. Com base nesse dado expressivo, percebe-se que milhões de indivíduos ainda enfrentam dificuldades para serem inclusos no meio cibernético, o que, consequentemente, torna-os vítimas do analfabetismo digital, dado que a falta do usufruto desses sistemas contribui para a desinformação tecnológica.
Fica claro, portanto, que medidas são necessárias para a resolução do revés. Desse modo, o governo, mediante a atuação do Ministério da Educação, deve ampliar a inclusão dos sistemas tecnológicos na educação básica, por meio da aquisição de aparatos digitais - como tablets e computadores-, que serão usados em salas de aula, no intuito de apresentar o mundo virtual desde a infância, para que assim sejam formados cidadãos alfabetizados digitalmente. Outrossim, cabe ao Estado incluir os indivíduos desconectados nas redes cibernéticas, através da criação de espaços públicos com rede Wi-Fi gratuita e com profissionais capacitados para instruir pessoas de todas as camadas sociais, para que, assim, o acesso ao meio eletrônico seja democratizado. Com isso, o analfabetismo digital será reduzido e a coletividade se assemelhará à Utopia de More.