A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 16/01/2021
Muros e pontes
Com clareza, Milton Santos aponta que o mundo como o conhecemos pode ser transformado em outra realidade se atores sociais se engajarem para esse propósito. Partindo dessa máxima, é imprescindível não negligenciar o analfabetismo digital no Brasil e buscar metódos para modificar tal realidade. Sendo assim, faz-se imperativo identificar as origens desse problema e seus impactos no convívio social, uma vez que é notável a fraca base educacional e o uso da tecnologia apenas como ferramenta de entretenimento nas redes sociais, por exemplo.
A princípio, convém frisar, que a educação no Brasil é bastante precária. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o analfabetismo funcional atinge 29% da população brasileira, tornando-se o Calcanhar de Aquiles para o desenvolvimento da plena cidadania digital, uma vez que, por falta de conhecimentos básicos, uma parte da população não consegue realizar atividades simples na internet, como mandar e-mails e/ou pagar boletos, por exemplo. Nesse viés, se torna inexecutável a utilização do ambiente virtual por parte dessas pessoas, visto que, elas não têm a instrução e o entendimento necessário para usar as ferramentas tecnológicas. Logo, urge mudar essa realidade. Ademais, é um ponto pertinente a visão do ambiente virtual apenas como ferramenta de entretenimento. Com base nisso, a Universidade de São Paulo divulgou que o Brasil é o país que mais usa as redes sociais na America Latina, em contrapartida, 73% dessas pessoas são vítimas de fake news e golpes virtuais. Sob essa questão, a visão do físico Lorenz elucida que trocar pequenos erros por pequenas mudanças é necessário. Portanto, é indispensável enxergar a tecnologia para além do entretenimento das redes sociais e buscar aprender mecanismos técnicos e necessários para que possam geri-la com precisão e sabedoria.
Destarte, o pensamento coerente de Immanuel Kant afirma que quem possui o conhecimento é capaz de exercer alteridade. Tomando como norte essa verdade, é fundamental um plano de ação eficiente e eficaz para que o analfabetismo digital seja erradicado no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve reformular a base comum curricular da educação básica e incluir o ensino de educação tecnológica como disciplina fundamental a fim de ensinar aos alunos como usar a tecnologia e suas ferramentas sem colocar sua segurança em risco. Além disso, cabe a Escola garantir o ensino básico e digital, por meio do desenvolvimento e promoção de aulas e palestras, e recrutar especialistas para atuar. Com isso feito, os muros do analfabetismo serão derrubados e pontes serão erguidas para alcançar o desenvolvimento educacional genuíno na nação verde e amarela.