A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 16/01/2021
O jornalista, Gilberto Dimenstein, elaborou uma tese denominada “O Cidadão de Papel”, na qual o autor define o termo como o indivíduo que, apesar de possuir direitos na legislação, não os vivencia, devido à desinformação por parte da população ou à subtração deste pela esfera governamental. Fora da ficção, é fato que a expressão apresentada por Dimenstein pode ser relacionada ao analfabetismo digital no Brasil. Nesse âmbito, é lícito ressaltar como causas do problema a desigualdade social e a omissão governamental.
Diante desse cenário, evidencia-se que a desigualdade social é um fator determinante para a permanência do analfabetismo no meio digital. Nesse sentido, segundo o psicanalista Sigmund Freud, em sua teoria do superego, regras morais não nascem com o indivíduo, mas são passadas pela sociedade, como meio de conviver nela corretamente. Sob esse viés, nota-se que a formulação de identidade brasileira baseia-se em relatos pelas gerações antecessoras, as quais são de extremo conservadorismo, visto que seguem preceitos preconceituosos e desiguais. Por conseguinte, esse ato leva à exclusão dessa parcela da sociedade no mundo digital, além de afetar na vida privada.
Outrossim, cabe salientar que o descaso governamental também é um ponto relevante para causa da adversidade tecnológica. Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo Zygmud Bauman, “A sociedade caminha para a desordem mundial, causada, sobretudo, pela falta de controle do Estado”. Sob tal ótica, percebe-se como o desleixo governamental afeta no mundo globalizado, uma vez que não desempenham a função de ajudar as comunidades mais pobres no acesso a internet, nem destinam o capital ideal para realizações de atividades digitais essenciais. Dessa forma, contribui-se para a perpetuação desse tipo de ação negativa na sociedade.
Portanto, para que haja uma melhoria no cenário de analfabetismo digital, é imprescindível o esforço coletivo entre comunidades e Estado. Por tudo isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, propor uma reeducação sociocultural, mediante a circulação de campanhas educacionais, em jornais, revistas, televisão, internet e palestras em vias públicas, com o intuito de enaltecer a importância da alfabetização tecnológica. Em seguida, é preciso que a família incentive a criança desde a infância, para desenvolver hábitos digitais de suma relevância, além do governo destinar verbas para as áreas mais escassas, em prol de promover a cidadania no ambiente digital e a inclusão social.