A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 16/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor e filósofo inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora da ficção, no entanto, o que se observa no Brasil contemporâneo é o oposto do que o autor apresenta, uma vez que o analfabetismo digital apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização das ideias de More. Esse cenário é fruto da inexistência de educação digital eficiente nas escolas e tem como consequência a proliferação de notícias falsas, tornando necessária a discussão desses aspectos.

De início, vale ressaltar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de uma nação. Nesse sentido, tendo em vista que o Brasil está entre os dez primeiros colocados na economia mundial, seria lógico acreditar que o país possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido no analfabetismo virtual, uma vez que não ocorre a adequada educação digital dos jovens nas escolas, havendo a formação de indivíduos incapazes de utilizar as inúmeras vantagens presentes nas ferramentas tecnológicas. Assim, é fundamental a reformulação dessa postura educacional de forma urgente.

Faz-se mister, ainda, comentar sobre a difusão das chamadas “fake news” como produto do analfabetismo digital. A respeito disso, um relatório divulgado pela revista “The Inclusive Internet Index”, o qual tinha como objetivo relacionar os impactos da internet nas sociedades do mundo todo, revelou que o Brasil se encontra na posição 66, entre 100 países, no quesito alfabetização virtual. Desse modo, fica claro que boa parte da população brasileira não possui as habilidades fundamentais para navegar na internet, interpretar matérias e identificar quais são verdadeiras e quais não, contribuindo com a desinformação ao compartilhar as inverídicas. Dessa maneira, é notório o alastramento das “fake news” como efeito da problemática supracitada.

É evidente, portanto, a necessidade de medidas para a amenização do quadro atual. Para tanto, cabe ao Estado, por intermédio do Ministério da Educação, instituir, na grade curricular das escolas do país, disciplinas sobre o mundo tecnológico com atividades teóricas e práticas sobre a internet bem como discussões à cerca das redes sociais, a fim de alcançar a educação virtual. Dessa forma, a influência negativa do analfabetismo digital seria, em médio e longo prazo, atenuada, as notícias falsas combatidas e a coletividade se encontraria um passo mais próxima da “Utopia” de Thomas More.