A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 16/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Fora da ficção, o que se observa é um panorama distante, uma vez que o analfabetismo digital é contrastante e dificulta a concretização das convicções de More. Sob tal ótica, destaca-se tanto a inadimplência governamental quanto o despreparo educacional da população nas novas tecnologias como contribuintes desse cenário antagônico. Logo, a busca de medidas a fim de cessar a permanência desse problema social no Brasil é fundamental.

Em primeira análise, é evidente que o analfabetismo virtual deriva da ineficácia do Estado no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais ocorrências. Sob esse viés, a Constituição Cidadã, de 1988, decretou como dever público garantir o ensino de excelência para toda a população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, haja vista que dados levantados pela revista inglesa “The Economist”, apontam que o país ocupa a 16ª posição dentre os cinquenta países no quesito alfabetização digital, o que demonstra precarização desse tipo de ensino. Conquanto, tal realidade se opõe à teoria magna, nega prerrogativas constitucionais basilares e, por isso, deve ser alterada.

Ademais, é imperativo ressaltar o despreparo educacional de grande parcela da população como importante causa de tal conjuntura. Nesse sentido, o sociólogo francês Émile Durkheim defende que o indivíduo só poderá agir ao conhecer o contexto em que está inserido, saber suas origens e as condições de que depende. Tendo em vista que essa realidade atinge somente as minorias, o desconhecimento dos impactos práticos desse cenário instável induz ao negacionismo e ao sentimento apático, contribuindo com a perpetuação desse quadro contrastante à “Utopia” de More. Logo, faz-se mister o reconhecimento desse problema social.

Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para mitigar a perpetuação do analfabetismo digital na sociedade brasileira. Em virtude disso, é imprescindível que o Poder Executivo direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na capacitação educacional digital, por meio de cursos gratuitos e democratização da internet para toda a população, em escolas públicas e privadas, objetivando educar tecnologicamente a comunidade civil. Dessa forma, os impactos nocivos dessa realidade serão atenuados e, por conseguinte, a coletividade alcançará a “Utopia” de More.