A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 17/01/2021

Na obra “A República”, do filósofo grego Platão, é retratada uma sociedade perfeita, na qual a educação exerceria um papel primordial para a formação de um ser racional e crítico. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o auto prega, visto que o analfabetismo digital apresenta barreiras, as quais impossibilitam os planos platônicos. Diante disso, cabe pontuar tanto o acesso desigual a tecnologia quanto a ineficiência do Governo em promover um ensino inovador nas escolas como fatores desse contexto.

Nessa perspectiva, é relevante ressaltar que a aquisição de aparelhos eletrônicos no Brasil, é dado de forma discrepante, uma vez que as famílias mais carentes não possuem condições financeiras para compra-los. Sob essa ótica, de acordo com o Índice de Gini, que mede o nível de desigualdade socioeconômica, o Brasil está entre as 10 piores nações. Nesse sentido, é evidente que a parcela mais pobre da população, é negligência pelo poder público, fato esse que mantém essa problemática. Dessa forma, tornam-se necessárias medidas assistêncialistas.

Ademais, outro ponto que vale destacar é a falta de políticas educacionais que visam a capacidade de interligar o aprendizado ao meio tecnológico. À vista disso, consoante ao artigo 6º da Constituição Federal de 1988, é dever da União garantir pleno acesso à educação e ao bem-estar social. Entretanto, tal norma jurídica não é assegurada na prática, tendo em vista o uso mínimo das ferramentas digitais no campo educacional. Desse modo, é imprescíndivel a intervenção dos ministérios.

Urgem, pois, medidas para sanar esse impasse. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania, em conjunto com o Ministério da Educação, estabelecer um projeto socioeducativo por meio de oficinas tecnológicas e robóticas, nas escolas públicas, durante o contraturno. Essa iniciativa teria como apoio a participação de professores de informática e robótica, a fim de garantir uma línguagem mais acessível ao público alvo, as crianças. Com isso, espera-se que o ideal platônico sejá alcançado e o analfabetismo digital  combatido.