A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 24/05/2021
A criação da internet em 1969 possibilitou a conexão de todo o mundo de uma forma rápida e direta, facilitando a comunicação e o acesso à informação. Contudo, de acordo com Pierre Lèvy, toda nova tecnologia gera seus excluídos, e com a chegada da internet não foi diferente, as pessoas que mais sofrem do analfabetismo digital no Brasil são os mais idosos - os excluídos. Isso descobre não só da alienação digital, mas também das dificuldades do acesso ao mundo tecnológico, por parte desse grupo social.
Nessa linha de raciocínio, a alienação digital por parte dos idosos contribui para o analfabetismo eletrônico. Dessa maneira, ao contrário dos jovens - que desde berço tiveram contato com a tecnologia, seja para realização de trabalhos escolares ou para o entretenimento - a população com mais idade não teve esse contato precoce, pois, na época, a tecnologia ainda não era tão desenvolvida ou nunca foram incentivados ao uso frequente. Nesse sentido, como formulou Platão, em “A alegoria da caverna”, é complexo explicar o mundo exterior aos homens que viveram toda sua vida em uma caverna. Assim, de maneira análoga, mesmo com a complexidade de inserir os idosos no mundo digital, educar é de suma importância, posto o mundo cada vez mais moderno e dependente.
Além disso, é imprescindível pontuar as dificuldades do acesso ao mundo tecnológico. Segundo Pierre Bourdieu, o que foi criado como instrumento de democracia não pode ser convertido em mecanismo de opressão. Dessa forma, a indisposição dos mais experientes no mundo digital a ensinar, as dificuldades socioeconômicas de acesso a um celular ou rede de internet e a falta de assistência e não intuitividade de celulares, aplicativos e dispositivos eletrônicos aos, até então, analfabetos digitais, acabam segregando esse grupo dos demais brasileiros e, de forma geral, do mundo. Logo, algo que foi criado para aproximar e facilitar a vida das pessoas, se transforma em algo distante, elitista e opressor.
Portanto, urge que o Governo Federal, em parceria com as escolas, disponibilizem espaços escolares em todo Brasil para o ensino digital básico, aberto para todas as idades, bem como o investimento em computadores públicos e rede de internet nesses locais, por meio de verbas direcionadas pelo Tribunal de Contas, a fim de mitigar o analfabetismo digital e promover o ensino desse recurso tão necessário. Para que, feito isso, os excluídos advindos das novas tecnologias, consoante Pierre Lèvy.sejam reduzidos e o mundo digital seja mais democrático.