A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 17/02/2021

No folcore brasileiro, o Curupira é uma entidade que mora e protege as matas, cuja principal característica são os pés virados para trás e o calcanhar para frente. Fora da ficção, o analfabetismo digital no Brasil é uma realidade não só pela falta de preparação tecnológica populacional, mas também pela universalização desigual do meio de acesso. Logo, assim como o Curupira, o Brasil determina “passos” ao avanço tecnológico que acabam sendo contrários a sua expectativa. Diante dessa perspectiva, faz-se necessária uma análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira instância, nota-se o déficit de medidas governamentais frente a ignorância digital da população. A Constituição Federal de 1988, prevê em seu artigo 6° que a educação é um direito universal. Mas, tal direito se torna uma regalia quando uma parcela da sociedade não tem uma preparação tecnológica adequada (cidadania digital) para utilizar a internet, o que gera, muitas vezes, prejuízos irreversíveis por confiarem informações pessoais em outrem e/ou plataformas online, além do vício em diversas redes e aplicativos sociais.

Ademais, a distribuição digital da internet é falha. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), feito em 2018,  cerca de 45 milhões de brasileiros não têm acesso a internet. Nesse sentido, é evidente que muitos cidadãos, além de despreparados, não sabem sequer da existência do meio digital. O filósofo Immanuel Kant dizia que a sociedade é aquilo que a educação faz dela, logo a falta de conhecimento social está ligada diretamente a negligência estatal na educação.

Compreende-se, portanto, que a distribuição digital educacional e de acesso populacional são falhas, o que se torna imprescíndivel uma melhora nesse aspecto. Para isso, urge que os governantes por meio de palestras nas escolas de ensino fundamental e médio, conscientizem os estudantes jovens de como utilizar adequadamente a internet e assim, geri-las. Além disso, devem por meio de propagandas televisionais e recados via rádio alertar a parcela da população que desconhece a internet, sobre a importância, existência e como utilizá-la, a fim de informar e desenvolver uma sociedade crítica frente aos benefícios tecnológicos.