A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 17/02/2021

De acordo com uma pesquisa realizada em 2018, quase 80% dos lares brasileiros tinham acesso a internet, número que vem aumentando gradativamente e, a maioria destes usuários acessam a rede por meio de seus celulares - um dos aparelhos eletrônicos mais vendidos na atualidade (IBGE,2018) . Tal realidade tem sido experimentada mundialmente, todavia, dentre os países mais conectados, o Brasil tem sido um dos que possui menor senso crítico em relação a absorção o conteúdo virtual a que tem acesso, aponta a pesquisa do The Economist.

Essa realidade corrobora a ideia da necessidade de meios institucionais que possam acompanhar o avanço responsável dessa tecnologia, haja vista que trata-se de um importante instrumento com poder de afetar a nação dos mais diferentes modos. A exemplo disso, temos o caso das eleições 2020, onde hackers acessaram o sistema do TSE, atrasando a apuração do resultado, ou mesmo, do episódio das fake news que têm aterrorizado os brasileiros concernente às informações sobre a Covid 19.

Desta feita, é possível fazer uma analogia da realidade supra mencionada com a teoria da caverna, de Platão, onde as pessoas sempre voltadas para uma parede, recebiam a noção da realidade por meio de sombras e ecos da realidade externa e acreditavam que essa alusão seria a própria realidade. Outrossim, o espaço cibernético, sem instrumentos de fiscalização e com o pouco conhecimento por parte do usuário, tal qual uma caverna, apresenta uma realidade paralela prejudicial ao cidadão.

A fim de dirimir o problema é imperioso dizer que é papel do Governo federal, por meio da ação conjunta dos MCTIC e da Justiça, estabelecer legislação específica para regulamentação do serviço, a exemplo de países como EUA e França. Somado a isso é preciso que o Ministério da Educação, por meio da inserção de disciplinas sobre o tema nas grades curriculares, de forma a orientar e aumentar seu senso crítico e responsabilidade do uso das ferramentas digitais. Somente assim, será possível usufruir da liberdade na mesma medida da responsabilidade, conforme disse Sartre.