A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 18/02/2021
“O homem está condenado a ser livre, pois uma vez lançado ao mundo é responsável por tudo que faz”. Com essa frase, Sartre atribui às ações humanas o equivalente em responsabilidade. Analogamente, o espaço cibernético deveria seguir a mesma lógica, entretanto, não é o que se percebe - ao menos no Brasil. Falta de conhecimento, ética e responsabilidade, são apenas três, de uma lista muito maior, de problemas a serem enfrentados durante a construção de uma nova realidade digital.
Apesar da facilidade de acesso (80% dos lares brasileiros contam com algum tipo de acesso à internet - IBGE, 2018), a fiscalização e controle da circulação de conteúdo é pratiamente inexistente, causando os mais diversos danos. A exemplo disso, temos o caso de invasão do sistema do Tribunal Superior Eleitoral na última eleição; a desinformação em torno da Covid 19 ou até mesmo a pedofilía digital.
De igual modo, o comportamento acrítico do usuário também faz parte do problema, ou seja, enquanto o americano costuma checar em outras fontes - como jornais e revistas, por exemplo - o conteúdo cibernético consumido (The Washington Post, february, 2019), o brasileiro não cultiva esse hábito. Isto é, repostam conteúdo, muitas vezes, sem averiguar a veracidade do mesmo, contribuindo, assim, para a produção de fake news.
Por outro lado, as crianças, hoje cada vez mais presentes no território virtual, não recebem nenhuma informação acerca do correto uso da ferramenta, que embora muito útil, pode ser extremamente danosa nessa faixa etária. Não raro, a mídia divulga casos de pedofilia ou acédio moral ocorridos nos ciberespaços legais, ou ilegais, como é o caso da deep web.
Conclui-se, então, a urgência do governo federal, por meio da criação de um departamento de inteligência, regular e fiscalizar as atividades digitais. Cabe a ele também aparelhar o Código Penal para a adequada punição dos crimes cibernéticos. Ao Ministério da educação, cabe a inclusão do tema na grade curricular, com o fito educar cidadãos conscientes. E ao usuário cabe analisar criticamente os conteúdos digitais recebidos.